Conferência Rio+20
Foi com surpresa que a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) ouviu o discurso oficial do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho na Conferência Rio+20, onde afirmou que a conferência não tinha falhado e que se tinha dado “um passo importante” no caminho certo, com os governos a assumir uma responsabilidade coletiva perante as gerações futuras referindo que "falhar não é uma opção". Estas afirmações contrastam com os resultados da conferência e principalmente com a actuação interna de Portugal a nível do ambiente.
A LPN destaca a contradição das afirmações do governo português, uma vez que "cá dentro" as opções que o governo está a tomar para o país vão no sentido contrário de um desenvolvimento sustentável e da preservação do ambiente. Durante as semanas e meses prévios têm continuado a decorrer processos contra o ambiente como a construção da barragem do Tua e do Sabor, propostas de novas leis como a dos solos que visa eliminar os regimes de proteção e conservação da natureza, a da Arborização e Rearborização do país, onde se materializa a liberalização das florestas nacionais e sua entrega à indústria das celuloses, corte nos subsídios de apoio à instalação de equipamentos de energia renovável, falta de apoio às áreas marinhas protegidas, cortes que levaram à total desorganização dos serviços de conservação da natureza em Portugal, falta de apoio político e fiscalização efetiva das reservas e parques naturais e reformas nos licenciamentos industriais que visam abolir todas as condicionalidades ambientais. Esta é a tónica da governança no país.
Falhar cá dentro também não é uma opção! A LPN espera que o governo reconsidere as opções que tem tomado na governação do ambiente em Portugal, que se têm demonstrado absolutamente avessas ao desenvolvimento sustentável e à conservação da natureza.
A conferência Rio+20 termina hoje, sem qualquer materialização consequente, sem coragem política para resolver problemas que já são prementes, atirando todos a culpa para cima dos outros e rejeitando qualquer decisão palpável. Fica na História como mais um capítulo inconsequente na tentativa de mudar o rumo insustentável da comunidade humana e a sua economia actual. Escolher não escolher é continuar a correr para o abismo.
Lisboa, 22 de Junho de 2012
A Direcção Nacional da LIGA PARA A PROTECÇÃO DA NATUREZA