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O Cabaz do Peixe

O “Cabaz do Peixe” teve origem no trabalho desenvolvido por um grupo de voluntários do Grupo Oceanos da LPN. O projeto iniciou-se em novembro de 2010 e partiu de uma ideia importada do Canadá.






“Do Pescador para Si”, a frase em destaque no website do Cabaz do Peixe (www.cabazdopeixe.pt), revela o objetivo essencial do projeto: aproximar pescadores e consumidores de peixe fresco. Mas há muito mais para conhecer: como surgiu, os seus objetivos, o modo de funcionamento, as principais vantagens e os parceiros envolvidos.


Origem do Cabaz do Peixe

A ideia e proposta de implementação de um projecto com estas características partiu de uma voluntária do Grupo Oceanos da LPN, a Catarina Grilo, no final do ano de 2010. Esta voluntária estava no Canadá, onde teve contacto com um projeto em que uma ONG de ambiente e uma Associação de Pesca Local promoviam a venda de pescado diretamente dos pescadores aos consumidores. Este sistema permitia apoiar a pesca artesanal, ao melhorar os rendimentos dos pescadores através da valorização do seu peixe. Em simultâneo, os consumidores tinham acesso a pescado com elevados padrões de qualidade, a preços mais reduzidos (quando comparados com os sistemas de comercialização mais generalizados).

A ideia foi partilhada com os restantes voluntários do Grupo Oceanos, e tiveram então início os primeiros trabalhos para implementação de um projeto semelhante em Portugal. Sendo a LPN uma ONG de ambiente, foram os objetivos ambientais que moveram os primeiros passos para a implementação do projeto.

Após uma primeira fase de amadurecimento da ideia que viria a dar origem ao projecto, os voluntários da LPN apresentaram o projecto à Câmara Municipal de Sesimbra e à AAPCS – Associação dos Armadores da Pesca Artesanal do Centro e Sul, que é atualmente a promotora do projeto, e, que a acolheram com entusiasmo. Estava criada a parceria que deu suporte ao desenvolvimento do projeto. Mais tarde vieram a tornar-se parceiros a Docapesca Portos e Lotas S.A. e a Associação para o Desenvolvimento Rural da Península de Setúbal (ADREPES). Em 2013, o projeto foi submetido pela AAPCS a financiamento do Fundo Europeu para as Pescas (PROMAR), tendo sido aprovado já em 2014.

O lançamento do projeto, com a venda dos primeiros “cabazes do peixe” ocorreu em julho de 2015.


O que é o Cabaz do Peixe?
O Cabaz do Peixe consiste na venda de pescado fresco (peixe e moluscos cefalópodes), proveniente da pequena pesca artesanal, maioritariamente de anzol, do porto de Sesimbra. Esta pesca local, de pequena escala, apresenta um potencial de sustentabilidade bastante elevado. As técnicas de pesca utilizadas aliadas a um esforço de pesca relativamente baixo, quando comparado com outras práticas de pesca, e a proximidade dos locais de pesca ao porto de Sesimbra, garantem uma grande frescura e qualidade do pescado que chega aos clientes.

O pescado é capturado pelos pescadores locais, associados da AAPCS, a entidade promotora do projecto. A AAPCS compra em lota o pescado capturado pelos seus associados, amanha-o e acondiciona-o nos cabazes que serão depois distribuídos pelos clientes. Deste modo, a AAPCS contribui para que os pescadores vendam o seu pescado a um valor mais justo, e para que os consumidores tenham acesso a pescado de excelente qualidade, a preços também mais acessíveis.

O projecto promove assim o encurtamento da cadeia de comercialização, o consumo de produtos locais e contribui para a redução dos impactos ambientais da pesca.


Funcionamento do Cabaz do Peixe
O Cabaz do Peixe pode ser encomendado através do website do projeto, www.cabazdopeixe.pt. As entregas ocorrem atualmente em quatro locais distintos na Península de Setúbal: Sampaio (Sesimbra), Quinta do Conde, Palmela (Arrentela) e Seixal. As entregas são semanais ou quinzenais, em horário fixo, e decorrem em simultâneo com as entregas de produtos hortícolas do programa PROVE (www.prove.com.pt).

A cada entrega o cabaz terá uma composição diferente, que dependerá da disponibilidade de pescado capturado pelos pescadores locais. Além disso, ao inscrever-se no cabaz, cada cliente apenas pode indicar três espécies, das 23 possíveis, que não quer receber. A disponibilidade destas 23 espécies está dependente de fatores relacionados com a biologia das espécies e com fatores de variabilidade inerentes à pesca. As espécies disponíveis são: abrótea, areeiros, besugo, boga, cabra, cantarilho, carapaus, cartas, cavala, choupa, corvina, faneca, pata-roxa, peixe-espada-preto, pescada-branca, polvo, pota, raias, safio, salema, sardinha e xaputa.   

Cada cabaz tem cerca de 3 kg de peso bruto e inclui 3 ou mais espécies diferentes pelo valor de 20€, pagos em dinheiro no ato da entrega. O peixe é entregue escamado e eviscerado, pronto para cozinhar.

No website do projeto está disponível informação sobre datas e locais de entrega assim como uma área de registo de clientes e encomendas. Também se pode acompanhar a atividade do Cabaz do Peixe através da sua página no Facebook.

Apesar de atualmente apenas existirem pontos de distribuição na Península de Setúbal, está prevista a expansão para a cidade de Lisboa em breve.   


Vantagens do Cabaz do Peixe
Os objetivos do Cabaz do Peixe abrangem os três pilares da sustentabilidade, o ambiental, o social e o económico.

Em termos ambientais, e ao promover a venda de espécies pouco valorizadas, o Cabaz do Peixe contribui para a diminuição dos desperdícios de pescado (rejeições da pesca), promove o consumo de pescado proveniente da pesca artesanal (considerada geralmente mais sustentável), e para a diminuição dos custos ambientais inerentes à captura e transporte do pescado. Os clientes (consumidores) apenas escolhem três espécies que não querem receber, de modo que o cabaz é constituído pelo peixe que é capturado em cada dia pelos pescadores da pesca artesanal de Sesimbra, minimizando assim o desperdício de pescado e permitindo a valorização de algumas espécies que muitas vezes não são procuradas pelos consumidores, por desconhecimento. O cabaz é sempre constituído por 30% de espécies menos valorizadas como cavalas, cabras ou fanecas. É a mistura de espécies de baixo valor com as de maior valor que permite ao Cabaz ter um preço acessível para o consumidor.

Em termos sociais e económicos, o projeto promove o desenvolvimento da comunidade de pescadores locais e uma relação mais estreita entre os pescadores e os consumidores. Ao promover a valorização das capturas da pesca local, o projeto beneficia os pescadores que obtêm um valor mais justo pelo seu peixe. Os consumidores têm acesso a pescado de grande qualidade a um preço também mais baixo do que é comum.