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Tubarão à vista? Este verão saiba que animais habitam a nossa costa!

Durante o verão são frequentes notícias de avistamento de golfinhos e tubarões que existem nas nossas águas. São também notícia animais marinhos, que podem existir nas nossas águas ou estar só de passagem, e que aparecem nas redes de pesca, ou nas praias. Saiba quais são e o que fazer.






Durante o verão é frequente a avistar golfinhos ao longo da costa portuguesa, principalmente no estuário do rio Sado. Apesar de alguns destes animais se encontrarem de passagem, existe neste estuário a única colónia permanente em Portugal. Esta colónia tem cerca de 28 indivíduos da espécie Tursiops truncatus, ou roaz-corvineiro, nome que lhes foi atribuído pelos pescadores, pois os golfinhos roíam as redes com peixe, sendo a sua espécie preferida a corvina. No Tejo também já existiu uma colónia permanente, mas que deixou definitivamente o rio em meados dos anos sessenta do sec. XX devido aos elevados níveis de poluição. Porém, registam-se ocasionalmente avistamentos de golfinhos no Tejo, principalmente na foz, que são noticiados com grande contentamento, mas nunca chegou a estabelecer-se uma nova colónia.

Outro grupo que se avista frequentemente na nossa costa são os tubarões. Tal não é de estranhar uma vez que na costa portuguesa ocorrem cerca de 30 espécies de tubarões. São, na sua maioria, espécies de profundidade e os que aparecem mais à superfície andam em busca de peixe ou de parceiro para acasalar, não representando perigo para as pessoas. Os tubarões são mais visíveis no verão quando o aumento da temperatura da água do mar traz uma maior abundância de presas para junto à costa. Mas outra razão para os avistamentos serem mais frequentes nesta época é a maior disponibilidade e quantidade de observadores que desfrutam das suas férias na praia e zonas costeiras. Das espécies de tubarão existentes, as que mais comummente se vêem são o tubarão-martelo (Sphyrna zygaena) que pode medir entre 3 e 6 metros e pesa entre 230 e 400 kg, a tintureira ou tubarão-azul (Prionace glauca) que tem um comprimento entre 3 e 8 metros e pesa entre 230 e 400 kg e o tubarão-frade (Cetorhinus maximus) que tem um comprimento que vai dos 8 aos 10 metros e pesa cerca de 5200 kg.

 


Além destes avistamentos, que normalmente dão origem a notícias nos jornais e televisão, um outro fenómeno também frequente são os arrojamentos. Define-se arrojamento como as circunstâncias em que animais marinhos ficam encalhados na costa, geralmente na praia. Os animais arrojados podem encontrar-se vivos ou mortos, em vários estados de decomposição. Quando vivos, os animais apresentam normalmente comportamento fora do comum devido ao stress causado pelo arrojamento. Os arrojamentos são frequentes ao longo de todo o ano. No verão estão mais relacionados com as artes de pesca sendo frequente os indivíduos aparecerem vivos, ainda que em stress. No inverno estes arrojamentos podem estar relacionados tanto com as artes de pesca como com condições climatéricas extremas como tempestades. Os arrojamentos provocam um grande impacto mediático, mas não são fenómenos raros. Desde 2000 que existe um registo de animais arrojados na área entre Pedrógão e São Martinho do Porto, pertencente à área de influência da capitania da Nazaré. Desde dessa altura foram registados 227 arrojamentos de cetáceos de 13 espécies diferentes.
Mais a norte, existe o Centro de Reabilitação de Animais Marinhos de Quiaios (CRAM-Q) onde também existe um registo dos arrojamentos. Aqui, os registos indicam que o golfinho-comum (Delphinus delphis) é a espécie que mais arroja, seguido pelo boto (Inia geoffrensis), uma espécie de golfinho em situação crítica em termos de conservação e, finalmente, pela baleia-de-barbas (género Balaenoptera). Existem também registos de arrojamentos de golfinho-riscado e roaz-corvineiro, mas em menor percentagem.

Os fenómenos de arrojamento não são exclusivos de espécies de cetáceos, outras espécies que também arrojam nas praias, embora com menor frequência, são as tartarugas. Estas espécies frequentam as nossas águas apenas quando estão a passar pela sua fase de vida em alto mar, também denominada por estado pelágico ou oceânico. A grande maioria das tartarugas marinhas encontradas em águas portuguesas são juvenis ainda longe de atingir a maturidade sexual. A exceção é a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), que passa grande parte da sua vida adulta em alto mar e que, em Portugal, ocorre exclusivamente no estado adulto.
Os arrojamentos de tartarugas que ocorrem durante o inverno estão também relacionados com as condições climatológicas extremas que se registam nessa altura do ano, pois a predominância dos ventos de sul e sudoeste podem arrastar as tartarugas juvenis para as praias portuguesas.
Algumas das situações de arrojamento podem ser resultado de interações com artes de pesca no ativo ou com redes que foram abandonadas ou perdidas no mar e que continuam a pescar, sendo por isso chamadas redes fantasma. Estas interações afetam principalmente animais juvenis ou subadultos. Por exemplo, no palangre* (uma arte de pesca à linha com anzóis), as tartarugas ficam acidentalmente presas nos anzóis ao tentarem alimentar-se do isco ou das próprias capturas e, muitas vezes, o anzol ainda vem preso ao animal. As redes de emalhar e tresmalho e também os cabos dos alcatruzes, utilizados na captura de polvos, podem determinar o emaranhamento destas espécies.
As tartarugas marinhas que arrojam vivas são transportadas para centros de reabilitação onde se realizam análises de diagnóstico de possíveis patologias, para depois se iniciar o tratamento mais adequado. O processo de recuperação das tartarugas marinhas é bastante lento, mas uma vez recuperadas são devolvidas aos oceanos.

Apesar de alguns destes fenómenos de arrojamento serem difíceis de controlar, existem atitudes e precauções que se devem adotar quando nos deparamos com um fenómeno de arrojamento, tanto no caso de o animal estar vivo como morto.

PASSOS PARA AJUDAR UM ANIMAL MARINHO ARROJADO

1.    Não mexa, não pegue, não atire água, não alimente o animal!
Trata-se de animais selvagens e podem atacar. Não estão habituados aos humanos e a nossa presença pode perturbá-los.

2.    Não devolva o animal à água!
Com exceção de algumas aves, tais como gaivotas, os animais marinhos – mamíferos  (cetáceos e pinípedes), aves e tartarugas  – não surgem em terra a não ser que tenham algum problema.

3.    Observe!
Observe o animal à distância. Mantenha pessoas e cães afastados.

4.     Descreva!
Identifique o grupo: ave, tartaruga, foca ou cetáceo.
Verifique as características físicas do animal tal como o tamanho e a coloração. Esta informação irá ajudar a equipa a identificar a espécie e otimizar os meios necessários para o seu resgate.

5.    Identifique problemas!
Verifique o estado do animal: está fraco ou magro? Tem ferimentos? Mostra dificuldades respiratórias?

6.    Localize
Determine a localização exata do animal de modo a dar indicações corretas. Não se consegue resgatar um animal se não for possível encontrá-lo.

7.     Contacte as autoridades
Os arrojamentos são uma boa oportunidade de recolher informações sobre a espécie como os seus padrões de distribuição e avaliar os níveis de captura acidental. Por sua vez, estes dados podem ainda contribuir para aumentar a consciencialização sobre a necessidade da aplicação de medidas de conservação para as espécies arrojadas. Assim, ao deparar-se com um animal arrojado na praia, para além dos passos descritos acima, deve entrar em contacto com as entidades competentes para que o arrojamento fique registado. Este contacto serve ainda para, caso o animal esteja morto, se proceder à sua recolha da praia. Alguns contactos úteis são:

Centro de Reabilitação de Animais Marinhos de Quiaios (CRAM-Q) – 919 618 705 (24 horas 7 dias por semana)

Rede de Apoio a Mamíferos Marinhos (RAMM) – 968 849 101

SEPNA – Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR – 808 200 520



Artigo de Ana Maria Moreira - LPN




*Consulte a nossa página www.quepeixecomer.pt para saber mais sobre as artes de pesca nacionais!