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Onda de calor afeta crias de águia-imperial

A onda de calor que se fez sentir entre 16 e 22 de junho originou a queda de 4 crias em 2 dos ninhos de águia-imperial-ibérica.  





Num período em que as temperaturas máximas ultrapassaram os 40º C em grande parte da área de nidificação da águia-imperial, quatro crias desta espécie saíram precocemente em dois ninhos, um em Mértola (Alentejo) e outro em Idanha-a-Nova (Beira Baixa), na zona do Tejo Internacional. O ICNF com o apoio da LPN e da TRAGSATEC, parceiros no LIFE Imperial, realizaram o resgate destas aves.

Em Mértola, duas crias terão sido “empurradas” para fora do ninho pela terceira cria, a mais velha. Este fenómeno é mais frequente em situações de tensão no ninho provocadas por temperaturas elevadas e/ou por limitações na disponibilidade alimentar. Nestes casos, ao ser detetada a ausência de alguma cria do ninho durante as ações de vigilância, procede-se à sua busca e recolha no solo.

No caso de Mértola, este procedimento permitiu que a cria mais nova fosse recolhida no próprio dia. A sua condição física e ausência de lesões foram avaliadas e a ave foi mantida nas instalações do Parque Natural do Vale do Guadiana/ICNF até que se reuniram as condições para a sua devolução ao ninho. A segunda cria “desaparecida” foi detetada na árvore de suporte do mesmo, apresentando já capacidade de voo e tendo depois sido observada no ninho. No dia 28 de junho, após avaliação pelo veterinário e marcação com emissor GPS/GSM, e atendendo à já autonomia dos irmãos, a cria que tinha sido recolhida foi recolocada no ninho. Cerca de um mês depois, a vigilância intensa permitiu confirmar o sucesso desta intervenção, com os três irmãos já voadores.

 

Cria de Águia-imperial-ibérica resgatada no Vale do Guadiana (Fotografia: LPN)


No caso de Idanha-a-Nova, durante a monitorização do ninho verificou-se que o mesmo se encontrava vazio, estando as duas crias ausentes. Realizou-se uma busca no solo e foi detetada uma das crias ainda com vida mas com sinais de desidratação acentuada. A mesma foi prontamente recolhida e encaminhada para o CERAS - Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco, gerido pela Quercus, onde ainda se encontra em recuperação e a evoluir favoravelmente.
 
 
  

Cria de Águia-imperial-ibérica resgatada em Idanha-a-Nova e em recuperação no CERAS
(Fotografias: CERAS / Quercus)