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Verão com Eclipse e chuva de estrelas. E as marés como se relacionam com as fases da Lua?

Quando vamos à praia observamos uma variação do nível da água do mar sobre a faixa de areia. Em determinado período do dia a água recua e dizemos que a “maré está a baixar”, a praia fica com mais areia e passadas umas horas verificamos que a água do mar avança sobre a areia, dizemos então que a “maré está a subir” e a praia fica com menos areia.





Estamos na presença da maré……mas afinal o que são marés?

Grosso modo, as marés podem ser comparadas a ondas de baixa profundidade, porque têm comprimentos de milhares de km e alturas que podem atingir os 15m.

Numa abordagem mais científica as marés são alterações do nível da água do mar, causadas pelos efeitos combinados da rotação da terra e das forças gravitacionais exercidas pela lua e pelo sol. Fala-se mais da influência da lua nas marés, porque na realidade a força geradora de marés exercida pela Lua é 46% superior à exercida pelo sol, pois embora a sua massa seja muito menor que a do Sol, esse facto é compensado pela sua distância à Terra ser 384 400 km em vez dos 149 600 000 km do sol.

Na verdade, a terra e a lua formam um conjunto de massas que gira em torno do sol. Esse conjunto tem um centro comum que se localiza dentro do manto terrestre e que se denomina por baricentro. Todas as partículas da terra descrevem círculos de raios iguais, à volta deste baricentro o que significa que a força necessária para manter as partículas em rotação é igual em todos os pontos da terra. No entanto a força de gravidade exercida pela lua varia consoante a sua posição, com efeito, quando o Sol e a Lua estão em oposição (Lua cheia) ou conjunção (Lua nova), a influência do Sol reforça a da Lua.
 

Do efeito desta força exercida pela lua e pelo sol resulta o fenómeno das forças de maré. Assim as forças de maré tendem a empurrar a água para dois lados opostos da terra, formando um bojo de cada lado.
 

Sendo que um deles se posiciona directamente sob a lua (maré alta directa) e o outro localiza-se do lado oposto (maré alta reflexa).
 

Para além disto, o movimento de rotação de lua em torno da terra faz com que as marés se desloquem geograficamente. No entanto, de cada vez que a Lua passa pelo meridiano do local a maré-cheia ou praia mar, a maré só se faz sentir um pouco mais tarde devido ao atrito existente entre a massa de água e o fundo e à necessidade de vencer a inércia. Pela mesma razão, numa lua nova ou lua cheia a maré de maior amplitude ou maré viva ocorre algum tempo depois. Esse período de tempo, que pode ir até 36 horas, chama-se idade da maré.

Em suma, as marés traduzem-se em subidas e descidas periódicas do nível das águas do mar cuja amplitude e periodicidade é influenciada também por factores locais.

Marés vivas e marés mortas

Pelo que foi acima dito, torna-se evidente que as marés solares interferem com as marés lunares, acentuando ou diminuindo a sua amplitude (marés vivas e marés mortas, respectivamente).
 

Essa interferência do sol na lua provoca a existência de marés desiguais ao longo de um mês lunar (que dura 29,5 dias) sendo que as marés vivas acontecem a cada Lua nova e a cada Lua cheia e as marés mortas acontecem nos quartos crescente e minguante.

As marés acontecem por todo o mundo, no entanto a hora de ocorrência e a amplitude da maré variam de acordo com local. Pois além do alinhamento do sol e da lua as marés são também influenciadas pela forma da linha de costa e pela profundidade das regiões adjacentes.

Então em diferentes locais podem existir diferentes tipos de maré. Temos assim locais com maré de ciclo semidiurno que têm dois ciclos de maré diários com amplitudes semelhantes. Outros com maré de ciclo diurno, que têm apenas um ciclo de maré por dia. Finalmente, um terceiro tipo, marés de tipo misto com dois ciclos de maré desiguais por dia, ou uma maré cheia e maré vazia desiguais, este ultimo tipo de maré é menos frequente. 

Portugal tem um tipo de maré semidiurno caracterizado por uma onda com um período médio de 12h 25min, com duas praia mares e duas baixa mares diárias, atrasando diariamente cerca de 50 minutos. Ao longo de Portugal continental a onda de maré progride de sul para norte e demora aproximadamente 35 minutos de Lagos a Leixões, correspondendo a uma velocidade média de cerca 840 kmh-1.

Existe ainda a designação de marés de tempestade, que não são verdadeiramente marés, uma vez que são resultantes de forças provenientes da interacção com o vento e da variação batimétrica, que faz subir o nível da água do mar.

Mas os fenómenos das marés não estão limitados aos oceanos, podem ocorrer noutros sistemas sempre que exista um campo gravitacional que varia no tempo e no espaço. Por exemplo, nos estuários e na foz dos cursos de água, o caudal proveniente do curso de água a montante influencia o fluxo de maré e o limite de propagação da maré para o interior do rio, designado como cabeça de maré. Também na parte sólida da Terra se verifica a existência de uma maré terrestre, subindo e descendo ciclicamente, de uma forma muito discreta.

Finalmente existe ainda o macaréu, este é uma onda de maré que ocorre ao longo dos rios. A formação desta onda de maré dá-se na mudança das fases da Lua (2 dias antes da nova fase, no dia e 3 dias após a Lua). É mais comum nos equinócios e mais intensa nas marés vivas. Esta onda inicia-se quando as águas das marés provenientes do oceano chegam à foz de um rio e formam elevações de massas de água.

Existem alguns lugares no planeta onde a influência das fases da lua sobre a maré é maior. Na baía de Fundy, no Canadá, a diferença entre as marés alta e baixa chega a 18 metros. No monte Saint-Michel, no litoral da França, 14 metros. Na região de Derby, na Austrália, 11 metros. Já na enseada de Cook, na costa sul do Alasca, a elevação atinge 9 metros.



Artigo de Ana Maria Moreira - LPN