Notícias

Um percurso pela natureza conhecendo a geodiversidade no Parque Natural Sintra-Cascais e Mafra

A LPN acompanhou a saída de duas turmas do 7º ano da Escola Básica prof. Lindley Cintra evidenciando alguns locais da região de Sintra-Cascais-Mafra que são testemunhos de 150 milhões de anos de história.





No dia 14 de novembro em mais uma saída de campo inserida no Projeto "Natureza para todos" promovido pela LPN, os alunos de duas turmas do 7º ano da Escola Básica Prof. Lindley Cintra efetuaram um roteiro pelo património geológico na região de Sintra – Cascais - Mafra.

Com a coordenação da professora Teresa Almeida, a colaboração de vários professores de diferentes disciplinas e do professor destacado na LPN, os alunos entre outros objetivos, observaram e identificaram áreas relevantes para a preservação do património natural e cultural da humanidade na região, caraterizando-se essencialmente os aspetos geológicos e o impacto da ação humana na natureza integrando-os essencialmente com o programa curricular da disciplina de Ciências Naturais.

A saída iniciou-se nas dunas da Cresmina com a vista magnífica do maciço eruptivo de Sintra e do Cabo da Roca “Donde a Terra se acaba e o mar começa” (in Os Lusíadas, Canto VIII).
 
A paisagem de Sintra – Cascais com a sua energia dava o mote, pois o coração começava a acelerar assim como o pensamento. Mas o momento era o de evidenciar os fósseis existentes que retratam a evolução paleoambiental dos diferentes períodos da história geológica da região e salientar o valor natural que constitui o sistema dunar Guincho-Cresmina. A importância da conservação do sistema dunar bem como os principais riscos derivados da ocupação antrópica e problemas de ordenamento tinham de ser referenciados.

Aqui, os alunos iniciaram a atividade de trabalho de campo através do preenchimento da primeira parte do guião necessário para a realização da visita de estudo.

Terminada a primeira paragem deslocámo-nos em direção à praia do Magoito. Aí, observou-se e caraterizou-se a paleoduna do Magoito classificada como geomonumento que se formou quando o nível do mar se encontrava mais alto do que o atual. Posteriormente, levou-se os alunos a sentir e a explorar o local efetuando-se um pequeno percurso pedestre pelos trilhos junto à praia. Eram quase 12h e 30m, e como o estômago começava a “dar notícias” lá fizemos uma paragem para almoço sem que nunca se tivesse deixado de assinalar a experiência de se estar a almoçar junto às rochas que anunciavam a existência outrora de episódios de magmatismo na região.

Em seguida fomos à descoberta dos campos de Lapiás da Granja dos Serrões. Ao longo do caminho evidenciavam-se as indústrias de transformação do georecurso explorado como rocha ornamental. Quando chegámos ao local, a experiência tornou-se um pouco mais mística pois é-se surpreendido com um conjunto de esculturas geológicas. As suas colunas labirínticas que nos rodeavam por completo, mais altas do que nós, resultantes da carsificação do calcário convidava os alunos mais “afoitos” a uma escalada. Prontamente alertados os alunos para os perigos de uma escalada sem segurança, a  caminhada juntava então a adrenalina ao fator motivação dos presentes tornando-a cada vez mais emocional e permitindo o bom aproveitamento da atividade.

De volta ao autocarro, depois de se ter passado neste local de inegável valor patrimonial e natural, com o coberto arbustivo e arbóreo representativo da vegetação da região, fomos rumo à última paragem da nossa saída de campo – o Penedo do Lexim, em Mafra. Vislumbrava-se um local mágico, aquele Penedo que representa a força telúrica da natureza a que se associou uma ocupação humana desde a pré-história. A fortificação natural que constitui essa chaminé magmática é considerada como Imóvel de Interesse Publico. Chegados ao local, efetuámos um pequeno percurso pedestre.

No início, o basalto anunciava através do terreno, o aumento da fertilidade e por consequência da vegetação, caminhava-se junto às árvores repletas de líquenes, onde os raios de sol se refletiam na chaminé vulcânica, até que se chegou ao momento mais esperado: as formas de disjunção prismática do basalto que se tornaram mais visíveis tornando-o algo invulgar. Depois de uma breve explicação sobre o local e já quase no final do dia regressámos à escola, onde os alunos serão desafiados a completar o guião através de uma saída de campo que se revelou como uma estratégia e uma prática pedagógica diferenciada tornando-se um cenário mais rico de aprendizagem.


Esta atividade decorreu no âmbito do projeto "Natureza para Todos" que conta com o apoio do Fundo Ambiental.