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Parque Natural da Arrábida - Um roteiro e um desafio para ações de Educação Ambiental

Enquadrada numa ação de formação de professores a LPN através do seu Centro de Formação Ambiental organizou uma saída ao Parque Natural da Arrábida dando a conhecer locais de elevado valor patrimonial, paisagístico e cultural tendo em vista a elaboração de guiões e de “aulas no campo”.






No dia 25 de novembro, no âmbito da ação de formação de professores ‘Educação Ambiental – Ideários, Trajetórias Ecológicas e o Papel da LPN’ efetuou-se uma saída de campo ao Parque Natural da Arrábida que teve como principal objetivo conhecer e divulgar locais com interesse didático e científico e de formação por forma a serem preparados materiais práticos para os alunos.

Esta ação de formação para além de divulgar as ações implementadas pela LPN pretendeu através da análise das diferentes correntes de educação ambiental, atingir uma literacia ambiental crítica através da realização de atividades práticas e de atividades de trabalho de campo integrando-as com as questões contemporâneas da ética ambiental.

A importância da realização de atividades de trabalho de campo e de levar os alunos para fora dos “muros da escola” possibilita a criação de momentos de aprendizagem mais significativos e de maior afetividade através da interpretação das paisagens e dos aspetos culturais e naturais para além de constituir um complemento mais direto das suas aprendizagens curriculares.

A saída ao Parque Natural da Arrábida iniciou-se em plena encosta da serra onde se ergue o Convento da Arrábida localizado numa zona de invulgar beleza debruçado pelo Atlântico. Lá nos esperava um guia que descreveu a história e os aspetos de ocupação do convento. Caminhando pelos seus caminhos estreitos levava-nos a pensar como era viver como o modo de vida dos frades, num convite de visita às suas celas austeras, na sua relação com a natureza que os levou a descobrir a Arrábida como local de oração.

Após essa visita aguardava-nos os técnicos do ICNF do Parque Natural da Arrábida para nos deslocarmos ao Alto do Jaspe junto da Mata do Solitário, local cheio de tantas vicissitudes históricas e que foi um dos motivos da formação da LPN. Aí através da observação e descrição de espécies únicas de fauna e flora os professores depararam-se com um conjunto de pontos de interesse devidamente identificados e posteriormente descritos pelo guia do ICNF que revelou um conhecimento profundo do local. Depois da informação sobre o estatuto de proteção, da vulnerabilidade do local a fenómenos naturais e à ação antrópica, chegámos à Pedreira do Jaspe onde olhando para o lado poente se vislumbrava a imagem “enigmática” da serra do Risco que levou Sebastião da Gama a descrevê-la desta forma:

 "A Serra tem o ar de uma onda que avança impetuosa e subitamente estaca e se esculpe no ar; é uma onda de pedra e mato, é o fóssil de uma onda."

Na antiga pedreira observou-se in situ a rocha ornamental – Brecha da Arrábida. Após a caraterização da geologia da região chegou a hora da partida para o almoço. O destino era o Castelo de Sesimbra que os mouros ergueram. Não poderia ser melhor local para se observar o litoral da vila piscatória de Sesimbra, das ameias do seu Castelo e descrever-se não só a riqueza do mar da Arrábida mas também de como a Geologia condiciona a paisagem através do diferente comportamento e resistência das diferentes rochas que afloram na zona.

Após o almoço, em direção a Pedreiras o caminho segue por trilhos forrados de belos líquenes terriculosos e de flores, até chegarmos às Marmitas de Gigante, rodeadas de densa vegetação e onde se erguem belas formações rochosas com vários metros de profundidade que surpreenderam os participantes. Essas formações testemunham o “rasgar” da força dos rios nos seus leitos que vão escavando depressões mais ao menos circulares na ribeira que naquela altura se encontrava seca. O caminho embora a certa altura tivesse que ser a corta-mato não afugentava o participante menos afoito, pois de belo e didático ele se tornava.

Já de volta novamente à estrada de Macadame, passando pela aldeia de Santana chegámos ao Zambujal onde perto, numa antiga pedreira, se recapitulou 140-130 milhões de anos de história geológica e os paleoambientes por onde os dinossauros passaram, deixando as suas pegadas no Monumento Natural do Avelino, já perto do Cabo Espichel.

Chegou a hora da partida, a tarde começava a descer e que pena não ter durado mais tempo a nossa saída. Mas fica aqui o desafio para os professores que estejam interessados em uma nova ação de formação de professores da LPN, até porque existem ainda mais maravilhas e locais a visitar e de estudo com elevado valor didático e científico, não só no Parque Natural da Arrábida como em outras regiões do país.

Agradecemos o apoio dos técnicos do ICNF do Parque Natural da Arrábida.
 

Convento da Arrábida – Estátua de Frei Martinho de Santa Maria fundador do convento da Arrábida


                                                       Alto do Jaspe


Alto do Jaspe – Vista para a Serra do Risco


 
Marmitas de Gigante