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Situação do rio Tejo discutida na Assembleia da República

Na semana passada o estado atual do rio Tejo foi discutido em Assembleia da República por via de uma iniciativa do movimento de cidadania proTEJO.





O Tejo é um rio internacional com um incalculável valor natural, social e económico. A sua bacia hidrográfica ocupa cerca de 28% do território de Portugal continental abrangendo dezenas de Municípios. Grande parte do seu valor natural, social e económico tem que ver com os serviços de ecossistema que fornece de montante até ao seu estuário. Mas não só. O estuário do Tejo, que é o mais extenso rio da Península Ibérica, tem um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas costeiros, já que muitas espécies de peixes importantes para a frota costeira nacional o utilizam, bem como a outros estuários, como berçário, zona de alimentação e refúgio. Factos que tornam muito preocupante o atual estado em que o Tejo se encontra - com caudais com níveis mínimos históricos, crescente carga poluente e consequente diminuição da qualidade ecológica do rio até ao seu estuário.

Esta situação, incansavelmente denunciada e divulgada pelo movimento de cidadania proTEJO, ao qual a LPN pertence, fez com que o tema fosse levado e discutido em plenário na Assembleia da República. A preocupação e a apreensão sobre o futuro foram unânimes. Todas as bancadas parlamentares apresentaram medidas que visam a implementação de ações que, entre outras, assegurem caudais ecologicamente relevantes, melhorem as metodologias de monitorização da qualidade da água e melhorem o acompanhamento concertado com as autoridades Espanholas.

Para a LPN não há dúvidas - qualquer efluente com níveis de contaminação que excedam a capacidade de carga de um sistema é, e deverá ser, considerado e tratado como tal - Poluição. No século XXI a industria já não pode ser sinónimo de Poluição. A degradação acelerada da função ecológica do rio terá de ser levada com a seriedade e a responsabilidade que merecem. E os seus caudais deveriam, cada vez mais, ter como base uma avaliação científica. Depois de um retrocesso cujas consequências ainda não foram avaliadas, o Tejo e todos os que dele dependem, incluindo os ecossistemas costeiros, merecem toda a nossa atenção e dedicação. Motivo que nos leva a louvar a iniciativa do movimento proTEJO e todos os atos de cidadania em defesa do que é de todos - o património natural.