Programa Lince

 
A Liga para a Protecção da Natureza, em parceria com a organização internacional Fauna & Flora International (FFI), lançou, em 2004, o Programa Lince, que conta com a participação e o apoio técnico e científico de um grupo composto pelos principais especialistas nesta espécie em Portugal. O Programa Lince tem como principal objectivo assegurar a conservação e a gestão a longo prazo de áreas com habitat Mediterrânico adequado ao lince-ibérico (Lynx pardinus) em Portugal. 
 

OBJECTIVOS  |  ONDE?  |  O QUE SE PASSA COM O LINCE?   |  HABITAT FAVORÁVEL AO LINCE-IBÉRICO  |  EQUILÍBRIO DO ECOSSISTEMA MEDITERRÂNICO  |   COMO CONTRIBUIR PARA A CONSERVAÇÃO DO LINCE-IBÉRICO  |  SALVEMOS O LINCE-IBÉRICO!  | COMO PODE AJUDAR?  | 
 
 
OBJECTIVOS DO PROGRAMA LINCE

Identificar áreas de habitat prioritário para o lince-ibérico
Realização de trabalhos de campo para identificação de áreas com coberto vegetal adequado para refúgio e reprodução potencial do lince-ibérico e monitorização do coelho-bravo (presa base do lince) de modo a conhecer a actual distribuição das populações desta espécie nas áreas de estudo.

Estabelecer protocolos de colaboração com associações e proprietários/gestores
Assegurar a conservação, a longo prazo, das áreas de habitat favorável (em terrenos públicos e privados), de acordo com o plano de gestão acordado entre as partes.

Recuperar e conservar a longo prazo a paisagem Mediterrânica
Promoção de medidas de gestão da paisagem Mediterrânica sustentáveis
Promoção de corredores ecológicos e de habitat adequado ao lince-ibérico
Recuperação da vegetação Mediterrânica (ex. estrato arbóreo, arbustivo, galerias ripícolas) com espécies autóctones, nomeadamente em áreas degradadas e ardidas
Demonstração de que as actividades económicas locais (ex. exploração da cortiça, produção de mel, exercício da caça) podem ser compatíveis com a conservação de habitats e espécies ameaçadas

Aumentar a disponibilidade alimentar do lince-ibérico
Fomento das populações locais de coelho-bravo nas áreas prioritárias, através de medidas de gestão da paisagem (melhoria ou conservação do coberto vegetal existente), construção de abrigos artificiais (morouços) e cercados para reprodução, implementação de comedouros e bebedouros e promoção das áreas de alimentação (realização de sementeiras de gramíneas e leguminosas).

Sensibilizar a sociedade civil para a conservação do lince-ibérico e da paisagem Mediterrânica
Realização de sessões de esclarecimento das populações locais e stakeholders (ex. proprietários, agricultores, caçadores), procurando alargar-se o conhecimento que as comunidades locais detêm sobre a situação da espécie, ligando-o às diferentes práticas florestais e agrícolas. O desafio consiste em articular os diferentes saberes, científico, técnico e local, envolvendo os proprietários e as comunidades locais em questões que são relevantes para o seu quotidiano.
Realização de acções de Educação Ambiental e sensibilização em escolas e universidades.






 
ONDE?

O Programa Lince pretende concentrar as suas actividades nas zonas de ocorrência histórica da espécie, bem como nos corredores ecológicos que fazem a ligação entre áreas prioritárias, desde o Algarve até à zona transfronteiriça que contacta com a Serra Morena (Espanha) no Alentejo. Neste momento, o Programa está a ser desenvolvido nas regiões de Mourão, Moura e Barrancos e do Vale do Guadiana (Alentejo) e na região da Serra do Caldeirão (Algarve).







 
 
O QUE SE PASSA COM O LINCE?

O lince-ibérico é considerado o felino mais ameaçado do mundo e o único considerado Criticamente em Perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza - UICN.

Durante o século XX a distribuição desta espécie sofreu um acentuado declínio que teve como consequência a redução e o desaparecimento de algumas das suas populações, ficando estas cada vez mais dispersas e afastadas. Este declínio deveu-se sobretudo a dois factores: a regressão da sua principal presa, o coelho, como resultado de doenças virais (mixomatose, febre hemorrágica), abandono das práticas agrícolas tradicionais e algumas práticas cinegéticas desadequadas; e a perda e deterioração do seu habitat, os matagais e bosques Mediterrânicos, nomeadamente devido à sua substituição por plantações de espécies florestais exóticas e/ou de crescimento rápido (ex. eucalipto, pinheiro-bravo), à construção de grandes infra-estruturas (ex. barragens, estradas) e aos recorrentes incêndios florestais. Outros factores como a morte não natrural (ex. atropelamentos, furtivismo), doenças (ex. tuberculose bovina) e perturbação nas áreas de reprodução representam sérios desafios à actual sobrevivência da espécie.

Este conjunto de ameaças levou a que, segundo as investigações mais recentes, actualmente a população total de lince-ibérico esteja reduzida a cerca de 200 indivíduos adultos, conhecendo-se actualmente apenas duas populações reprodutoras em Espanha, ambas na Andaluzia, nas regiões da Serra Morena Oriental e de Doñana. Em Portugal, apesar de actualmente não serem conhecidas populações reprodutoras da espécie, ocorrem registos esporádicos, alguns dos quais de animais provenientes de populações espanholas à procura de novos territórios. Foi o caso do último registo, obtido em 2010 (passados 9 anos do anterior registo) na região de Moura / Barrancos, uma das áreas de intervenção do Programa Lince.

O lince-ibérico é uma espécie emblemática, que já foi alvo de campanhas para reconhecimento da situação da espécie em Portugal (ex. Campanha LPN/ICN "Salvemos o Lince e a Serra da Malcata"- primeira campanha de sensibilização sobre o lince-ibérico). Trata-se do único grande mamífero carnívoro endémico da Península Ibérica e o mais ameaçado da Europa. Só uma intervenção urgente poderá travar o seu processo de extinção e evitar o primeiro desaparecimento de um felino na Europa nos últimos 2000 anos.





 
HABITAT FAVORÁVEL AO LINCE-IBÉRICO

O lince-ibérico é um especialista em termos de habitat. Os estudos já realizados, com base em dados recolhidos no terreno e de radiotracking, revelam que a espécie selecciona para abrigo e reprodução zonas de bosque e matagal Mediterrânico. Este habitat é comum no centro e sul da Península Ibérica e caracteriza-se pela presença de azinheiras, sobreiros, medronheiros e matos altos e densos.

Por outro lado, a principal presa do lince - o coelho-bravo - necessita de áreas abertas como pastagens ou campos de cereais onde se possa alimentar. Deste modo, o habitat mais favorável para o lince consiste num "mosaico de habitats" onde possam estar presentes zonas de clareira, que lhe permitam caçar as presas (coelhos), e zonas com vegetação mais densa (bosque, mato) que constituam boas zonas de refúgio durante o dia e época de reprodução. As linhas de água pouco intervencionadas e com boa cobertura vegetal são outro dos locais procurados por esta espécie, pois proporcionam abundância de presas, constituem bons abrigos e podem ser utilizados como corredores de passagem.

O desaparecimento de vastas zonas de bosque Mediterrâneo é hoje apontado como um dos factores mais importantes no declínio da distribuição do lince entre as décadas 60 e 90.





 
EQUILÍBRIO DO ECOSSISTEMA MEDITERRÂNICO

Imaginar a Península Ibérica sem lince, seria o mesmo que imaginar a Ásia sem pandas ou a Austrália sem cangurus. É na verdade inimaginável!
A preservação do lince-ibérico é de extrema importância, mas as razões que o justificam, não se devem apenas ao facto de se perder uma espécie emblemática e de extraordinária beleza. Para além das questões históricas, existem razões pragmáticas para a conservação deste felino, uma vez que o lince tem uma importante função ecológica no ecossistema Mediterrânico.

Controlo de Predadores

A natureza funciona como um puzzle, em que cada peça encaixa no seu sítio e cada planta e animal tem a sua missão na manutenção do equilíbrio e estabilidade do ecossistema. O lince, por ser um super-predador (ocupa o topo da cadeia alimentar), controla a presença de outros predadores mais oportunistas e abundantes, como por exemplo a raposa. Assim, a presença do lince-ibérico é benéfica para a sua presa (o coelho-bravo), pois mantém afastada a raposa, essa sim, pela sua abundância, potencialmente consumidora de elevado número de coelhos.

Por ser o controlador de predadores mais eficaz do matagal Mediterrânico, o lince é na realidade o maior aliado dos caçadores. De facto, este felino não tolera nenhum outro predador no seu território, afugentando raposas e sacarrabos, estando demonstrado que, nas zonas em que habita, os níveis de outros predadores diminuem, aumentando as populações de coelho.
Para além disso, ao capturar coelhos doentes (infectados com mixomatose ou febre hemorrágica, por exemplo), o lince ajuda a que as populações de coelhos se mantenham mais saudáveis.

Contribuir para o desenvolvimento sustentável

Mas se estas não bastarem, mais razões para a preservação podem ser apontadas: sendo uma espécie emblemática e muito mediatizada nos últimos anos, a sua preservação nestas regiões poderá trazer grandes motivos de interesse, nomeadamente um tipo de turismo, que estando em consonância com a preservação do habitat natural, pode trazer grandes benefícios económicos e sociais, contribuindo para a dinamização dos espaços rurais e o combate à desertificação destas zonas do interior do país.

Um modelo a seguir é o Parque Nacional de Doñana, em Espanha, onde existe uma das populações de lince melhor conhecidas e com reprodução. Este é um exemplo claro de desenvolvimento sustentável, que permite escolas e organizações visitarem o Parque e contribuírem para o sucesso da conservação da espécie, ao mesmo tempo que favorecem o desenvolvimento sustentável da região.





 
COMO CONTRIBUIR PARA A CONSERVAÇÃO DO LINCE-IBÉRICO

              
A sociedade tem um importante papel a desempenhar na conservação e recuperação do lince-ibérico em Portugal. De facto, cada um de nós pode contribuir para a salvaguarda desta espécie através de pequenos actos do quotidiano. A simples compra de produtos naturais que provêm da utilização sustentável do habitat Mediterrânico (bosques e montados), como por exemplo o mel, a cortiça, os frutos (ex. medronho) ou o artesanato de pequenos produtores locais, contribuem decisivamente para a viabilidade económica das populações e, consequentemente, para o desenvolvimento sustentável e conservação do património natural.

A diversidade de produtos tradicionais e a existência de conhecimentos na área da transformação artesanal são uma forma de utilização sustentável dos recursos naturais. Também a opção pelo turismo de natureza, usufruindo das belas áreas rurais que o nosso país possui, é outro exemplo de como contribuir.
Por outro lado, e de acordo com o nosso dever de cidadãos, a denúncia e combate às actividades que possam por em causa a preservação dos habitats naturais, é outra forma de ajudar a salvar o lince. Cabe também a cada um de nós, não participar em actividades que resultem, directa ou indirectamente, na degradação do nosso meio ambiente.

Todos os que estiverem interessados podem também colaborar como voluntários no Programa Lince. Para mais informações consulte a secção de voluntariado. A simples divulgação deste projecto e da problemática do lince-ibérico é uma ajuda valiosa.
Independentemente da forma como o queiramos ou possamos fazer, todos nós podemos e devemos contribuir para a conservação do lince- ibérico e dos seus habitats, uma vez que estes são parte integrante do nosso património natural e cultural.





 
SALVEMOS O LINCE-IBÉRICO!

O Lince-ibérico é o felino mais ameaçado do Mundo. Esta espécie conta apenas com cerca de 200 animais, ocorrendo unicamente em Espanha e Portugal.

A LPN – Liga para a Protecção da Natureza tem sido, desde os anos 70, uma das maiores impulsionadoras da conservação do lince- ibérico em Portugal. Fruto do intenso trabalho desenvolvido nos últimos anos, asseguramos neste momento a gestão de milhares de hectares no Sul do país, através de protocolos de colaboração com proprietários e associações locais. Juntos podemos contribuir eficazmente para a conservação do lince-ibérico. Ajude-nos a não perder para sempre esta espécie, pois a sua conservação é da responsabilidade de todos!


O que faz a LPN?

O Programa Lince da LPN/FFI desenvolve no terreno várias acções de gestão e sensibilização ambiental, realizadas conjuntamente com as populações locais. Em todas estas acções há um grande envolvimento e trabalho dos técnicos da LPN, de pessoas locais que trabalham connosco (proprietários, gestores de zonas de caça, associações locais, professores) e de voluntários que nos têm auxiliado no trabalho de campo.

Entre as acções que são realizadas destacam-se as seguintes:
Acções para recuperação das populações de coelho-bravo (principal presa do lince-ibérico)
construção de morouços (refúgios artificiais)
realização de sementeiras de leguminosas que servirão de alimento ao coelho-bravo e outros animais
instalação de comedouros e bebedouros
Acções de recuperação de vegetação Mediterrânica

Construção de charcas para a fauna silvestre

Acções de educação, sensibilização e educação ambiental
Para além do trabalho desenvolvido lado a lado com vários proprietários e associações de caçadores, que procuram apoio técnico para uma adequada e sustentável gestão do habitat e a implementação de medidas para o fomento das populações de coelho-bravo locais, o Programa Lince também tem desenvolvido um esforço para dar resposta a todas as escolas e eventos para os quais é convidado a divulgar o seu trabalho.
    





COMO PODE AJUDAR?

O empenho e dedicação do Programa Lince têm permitido o cumprimento de todos os seus compromissos. Porém, os elevados custos associados a cada uma destas acções (aquisição de material, execução e posterior manutenção), limitam a dimensão da área que podemos recuperar para o lince-ibérico (por exemplo, construir um morouço custa 150 euros, construir uma charca custa 300 euros, construir um comedouro custa 60 euros).

Qualquer apoio ao Programa Lince nas suas acções concretas no terreno, na fortificação da sua relação de confiança com as populações locais, e na conservação do habitat Mediterrânico e toda a biodiversidade que este acolhe, é bem-vindo. O Lince-ibérico é uma prioridade para a LPN e, pelo risco de extinção que corre, esperemos que passe a ser uma prioridade para todos.


Auxilie o Programa Lince nesta iniciativa, acompanhe, participe e apoie o nosso trabalho.

Programa Lince
E-mail: programa.lince@lpn.pt , lpn.natureza@lpn.pt
Nº Conta: 270.10.001977-6
Nome Cliente: LIGA PARA A PROTECÇÃO NATUREZA
NIB: 0036.0270.99100019776.89
IBAN: PT50 0036 0270 9910 0019 7768 9
BIC/SWIFT: MPIOPTPL

Para a emissão de recibo de donativo, dedutível no IRS, é obrigatório o envio de uma cópia do comprovativo de transferência bancária e a indicação do nome completo, número de contribuinte e morada (para envio do recibo).

O Lince-ibérico agradece o seu apoio!



 
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"O Lince-Ibérico"

A LPN e a Lisboa Editora produziramo, em 2010, o vídeo "O Lince-Ibérico". Este vídeo sobre um dos felinos mais ameaçados do mundo, pretende sensibilizar a população em geral e em particular a escolar para as particularidades do lince-ibérico, os riscos a que está sujeito e as medidas que estão a ser realizadas para a sua recuperação. 
 
 
Parte I


Parte II
              









Contactos

Programa Lince
Liga para a Protecção da Natureza
Estrada do Calhariz de Benfica, n.º 187
1500-124 Lisboa
Tel.: (+351) 217 780 097
Fax: (+351) 217 783 208
E-mail: programa.lince[arroba]lpn.pt



Projectos a decorrer no âmbito do Programa Lince: