Um Pouco de História











Como Surgiu?

No final dos anos 80, os terrenos do Concelho de Castro Verde mais importantes para as aves estepárias tinham sido adquiridos por empresas de pasta de papel, que pretendiam florestá-los com espécies florestais de crescimento rápido, como o eucalipto. Estas alterações na ocupação do solo iriam levar a um abandono da atividade agrícola e, portanto, ao desaparecimento da avifauna estepária estritamente dependente da manutenção de práticas agrícolas cerealíferas extensivas. Na altura, a LPN, o Serviço Nacional de Parques e Reservas Naturais (antecessor do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas), a Direção Geral das Florestas e a Câmara Municipal de Castro Verde decidiram atuar de forma conjunta para a salvaguarda deste habitat, e foram levadas a cabo as seguintes iniciativas:
• A Câmara Municipal de Castro Verde interditou, no PDM, cerca de 85% da área do Concelho à florestação, com o objetivo de preservar as áreas pseudo-estepárias;
• Foram efetuadas conversações das várias entidades com a União Europeia, tendo-se decidido que a LPN se candidataria a financiamentos comunitários para a aquisição dos principais terrenos;
• A LPN realizou um estudo preliminar que serviu de base a uma candidatura efetuada pela Associação dos Agricultores do Campo Branco para a criação do Programa Zonal de Castro Verde, uma Medida Agro-Ambiental que se tornou o principal instrumento de conservação da Natureza na região.




Como se desenvolveu?


O Projeto “Conservação da Avifauna Estepária de Castro Verde” foi a materialização de candidaturas da LPN a fundos da União Europeia para assegurar a preservação das áreas nucleares para as aves estepárias e corresponde ao início formal da intervenção da LPN em Castro Verde. Desenvolveu-se em duas fases, resultantes de duas candidaturas ao Programa LIFE-Natureza: a primeira decorreu de Janeiro de 1993 a Janeiro de 1995 e a segunda decorreu de Janeiro de 1996 a Março de 1999.
Entre os resultados deste Projeto está a aquisição de cinco herdades na região, com uma área total de 1700 ha, correspondentes às áreas de maior relevância no Concelho de Castro Verde para as espécies de aves ameaçadas. Estas herdades funcionam como Reservas da Biodiversidade.
Para cada uma das áreas foi efetuado um plano de gestão que considera diversos tipos de ações de gestão agrícola, de gestão do património construído e de gestão das linhas de água. A gestão agrícola destas áreas tem sido feita através de acordos anuais com agricultores da região, comprometendo-se estes a seguir algumas condições com o objetivo de criar melhores condições para a avifauna e proteger o seu habitat.
Foram melhoradas as condições de nidificação do Peneireiro-das-torres, tendo-se aumentado, em poucos anos, o número de casais nidificantes numa das colónias incluídas nos terrenos da LPN de 14 para mais de 70 (esta colónia passou, em consequência, a ser a mais importante do país).
Desenvolveram-se ações de recuperação das ribeiras, foram colocadas vedações e portões e instalados painéis identificativos. Todas as herdades estão classificadas como Zonas de Interdição à Caça, proporcionando às aves um local tranquilo de refúgio onde a caça é interdita. Foram também efetuados estudos científicos sobre a biologia de algumas espécies de aves e o impacte das práticas agrícolas nas mesmas.
No âmbito do projeto foi realizado o Congresso “Fauna de Ecossistemas Agrícolas e Silvícolas”, em Novembro de 1994, que congregou dezenas de investigadores nacionais e estrangeiros. A LPN desempenhou um papel crucial na classificação, em Setembro de 1999, da região do Campo no âmbito da Rede Natura 2000 como Zona de Protecção Especial para Aves (ZPE) de Castro Verde. Esta ZPE é considerada como a área mais importante em Portugal para aves estepárias nidificantes, em particular para Abetarda e Peneireiro-das-torres, e é também relevante para algumas aves invernantes. Como resultado do contencioso da União Europeia com o Estado Português por causa do atravessamento desta ZPE pela Autoestrada do Sul (A2), a ZPE teve um alargamento em 2008, passando a ser a maior ZPE em Portugal com 85 mil hectares.
Recentemente no âmbito do Projeto Life Estepárias foram adquiridos mais 168 hectares de terreno em áreas importantes para a conservação das aves estepárias, atingindo os 1812 hectares em propriedade da LPN – a maior área privada dedicada à conservação da biodiversidade em Portugal. Ainda no âmbito deste projeto foram construídas mais duas colónias de Peneireiros-das-torres, uma delas nas reservas da LPN e a outra numa reserva de um parceiro do projeto.