Ameaçada águia-imperial-ibérica vê o seu número mais que duplicar em Portugal em apenas sete anos

A espécie desapareceu do país no final do século XX, mas o projeto LIFE Imperial deu-lhe uma nova esperança após um investimento superior a 2 milhões de euros.

 

 

Lisboa, 9 de dezembro de 2020 – O projeto LIFE Imperial, coordenado pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN), foi apresentado em junho de 2013, quando existiam apenas 11 casais de águia-imperial-ibérica em Portugal. Em 2020 – sete anos depois –, esta espécie criticamente em perigo de extinção no nosso país viu o seu número mais que duplicar, passando a 24 casais, após um investimento de perto de 2,5 milhões de euros. Este valor resulta de uma candidatura liderada pela LPN ao Programa LIFE da União Europeia, que financiou 75% do montante.

 

O projeto teve um impacto muito significativo na conservação da águia-imperial-ibérica e da Natureza como um todo. As ações permitiram não só aumentar a população da espécie e o conhecimento sobre a sua ecologia, sobretudo no Alentejo e na Beira Baixa, mas também aplicar medidas de gestão do território que aumentaram a sua sustentabilidade e promoveram um maior equilíbrio. A disponibilização de ninhos artificiais e o estímulo ao aumento das frágeis populações de coelho-bravo, uma das presas principais da águia, foram algumas das medidas implementadas. Mas nem só de ambiente se fez o LIFE Imperial: repercutiu-se igualmente a nível social e económico dos 14 concelhos abrangidos pelo projeto, mais fragilizados do que a generalidade do país. Foi dado suporte direto a 58 postos de trabalho, investidos milhares de euros em serviços prestados por mais de 100 empresas da região e envolvidas centenas de pessoas em ações de sensibilização. Cerca de 17% do total executado no LIFE Imperial, aproximadamente 400 mil euros, reverteram diretamente para o Estado Português, sob a forma de contribuições sociais e impostos.

 

A ambição da equipa do projeto traduziu-se ainda em ações inovadoras como a criação das sete primeiras equipas cinotécnicas da GNR para a deteção de venenos, que desencadeou a transferência de informação técnica para análise e interpretação de situações de ilícito por autoridades nacionais como o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e o Ministério Público. A aplicação de técnicas novas e mais eficazes na minimização da eletrocussão em parceria com a EDP-Distribuição, e o desenvolvimento de um novo tipo de emissor GPS para aplicação em aves de rapina são exemplos de outras medidas aplicadas no decorrer dos 6 anos do LIFE Imperial.

 

Chegados ao término do projeto, coincidente com o final do ano, e apesar dos sólidos alicerces que foram criados, o trabalho não pode ser dado por concluído. A conservação da águia-imperial-ibérica em Portugal requer a aprovação de um plano de ação específico para a próxima década, que foi já elaborado e que aguarda a sua aprovação final pelo ICNF. O LIFE Imperial é um perfeito exemplo do valor que o projeto de conservação da Natureza desta envergadura e com esta ambição pode trazer para Portugal e para o património natural de todos nós. A conservação da Natureza leva o seu tempo e requer um investimento condigno face aos desafios que enfrenta. Investimento esse que pode levar o seu tempo a dar frutos, mas que no entretanto se vê refletido na tão necessária proteção de espécies ameaçadas de extinção e na consequente valorização socioeconómica dos territórios menos favorecidos onde habitam.

 

 

 

 

INFORMAÇÕES SUPLEMENTARES

 

 

LIFE Imperial | O Projeto LIFE Imperial (LIFE13 NAT/PT/001300) é coordenado pela LPN e conta com 7 beneficiários associados nacionais e espanhóis, sendo financiado a 75% por fundos comunitários do Programa LIFE da União Europeia. O LIFE Imperial tem por objetivo assegurar o aumento da população de águia-imperial em Portugal, e consequentemente da população global, através da redução das ameaças que afetam o eficaz estabelecimento de casais em Portugal, orientando a sua atuação de modo a garantir que o retorno natural da espécie a Portugal possa ser consolidado de forma sustentável e duradoura. O Beneficiário Coordenador do Projeto é a Liga para a Protecção da Natureza (LPN). Os Beneficiários Associados são a GNR – Guarda Nacional Republicana, o ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, IP, a EDP Distribuição – Energia, S.A., a Câmara Municipal de Castro Verde, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a SEO/BirdLife - Sociedad Española de Ornitología e a TRAGSATEC - Tecnología y Servicios Agrarios S. A..

 

 

 

 

Águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) | Atualmente nidifica exclusivamente na Península Ibérica. A espécie sofreu um grande declínio que levou ao desaparecimento da população reprodutora em Portugal entre finais da década de 1970 e inícios da década de 1980. Apenas em 2003 se voltou a confirmar um casal nidificante e desde então têm vindo a colonizar lentamente o território nacional, apresentando o estatuto de conservação de “Criticamente em Perigo”. Em 2019, a população nacional foi de 17 casais divididos pelas regiões da Beira Baixa, Alto Alentejo e Baixo Alentejo.

 

 

Liga para a Protecção da Natureza | Fundada em 1948, a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) é a associação de defesa do ambiente mais antiga da Península Ibérica. É uma organização não-governamental de ambiente (ONGA), de âmbito nacional e de utilidade pública, que tem por missão contribuir para a Conservação da Natureza e para a defesa do Ambiente, numa perspetiva de desenvolvimento sustentável, que assegure a qualidade de vida às gerações presentes e vindouras. Foram já inúmeros os prémios e condecorações atribuídas à LPN, destacando-se, a nível nacional, a Ordem do Infante Dom Henrique (1994), a Ordem de Mérito (1998) e a agraciação como Membro Honorário da Ordem da Instrução Pública (2018). 

Ao longo da sua história, a LPN foi decisiva para a criação de várias áreas protegidas em Portugal, nomeadamente, o Parque Nacional Peneda-Gerês (1971), o Parque Natural da Arrábida (1976), a Reserva Natural do Estuário do Sado (1980), a Reserva Natural da Serra da Malcata (1981) e o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (1988).

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