Nesta nossa viagem de promover o ar livre e de aprender com a Natureza, a LPN através do Projeto Despertar para a Natureza realizou mais uma ação de saída de campo, que teve a participação de alunos do 7º ano e professores da Escola Básica Sophia de Melo Breyner Andersen.
No passado dia 17 de dezembro, os alunos do 7º B da Escola Básica Sophia de Melo Breyner Andersen - Agrupamento de Escolas Fernando Namora, no âmbito do Projeto Despertar para a Natureza organizado pela LPN, embarcaram numa entusiasmante saída de campo, explorando a rica biodiversidade e geodiversidade da região, com paragens na Praia do Magoito, Pedra Furada, Jardim do Cerco e Penedo do Lexim, através do transporte cedido pela EPAL.
Acompanhados pelas docentes Ana Cristina Flores, Carla Inocêncio, Maria José Quinta e o professor destacado na LPN, a saída de campo teve como objetivo proporcionar aos alunos uma aprendizagem prática e imersiva sobre os ecossistemas locais e a história geológica da região complementando as temáticas curriculares através de uma abordagem holística que visa estimular uma cidadania ambiental que potencia as aprendizagens ao ar livre, com experiências na natureza articulando a Escola e o meio.
Na fase de preparação para a saída de campo selecionou-se a área de estudo e os locais a visitar sendo que após a seleção do(s) local(is) a visitar, a LPN dá apoio para a realização da logística, fazendo-se o reconhecimento e definição do percurso/itinerário face à duração da aula/saída de campo. Seguidamente após apoio à construção de um guião que serviu de orientação e de suporte à saída de campo e ao trabalho realizado na aula, adequando os conceitos curriculares com as paragens, com informação, bibliografia, questões e sugestões didáticas, para cada paragem dos locais a visitar, realizou-se uma aula virtual definindo as regras de segurança e de sustentabilidade, contextualizando os locais a visitar e ajudando a romper com o impacto da novidade. Nesta fase ausculta-se também os conhecimentos prévios e experiências anteriores dos alunos para facilitar uma aprendizagem mais significativa.
A primeira paragem do percurso foi na praia do Magoito, onde os alunos puderam observar as formações rochosas características da costa, resultantes da erosão marinha ao longo de milhões de anos. O professor destacado na LPN – Jorge Fernandes explicou a formação das arribas e a importância da preservação deste ecossistema costeiro, enfatizando-se a importância da Paleoduna do Magoito. Os alunos também tiveram a oportunidade de identificar algumas espécies de plantas típicas das dunas e do litoral rochosos. A observação da fauna e flora marinhas nas poças de maré também foi um momento rico em aprendizagem, permitindo a identificação de algumas espécies de algas, crustáceos e moluscos.
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Enquadramento paisagístico e natural da praia do Magoito.
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Caminhada na praia do Magoito junto à Duna Fóssil.
Após identificação e referência às espécies invasoras, como seja o Chorão - Carpobrutus edulis que já prolifera, inclusivamente, na própria paleoduna, caminhou-se para norte, passando pelo forte de Santa Maria, edificado no tempo de D. João IV para reforçar o sistema defensivo da costa e seguindo pela arriba na antiga plataforma de abrasão de São João das Lampas eram visíveis os aspetos da ação da erosão do litoral. A erosão é essencialmente resultante da ação das ondas nas arribas com famílias de descontinuidades, fraturas e desligamentos apresentando erosão diferencial resultando em queda de blocos por perda de sustentação.
Pelo caminho ia-se identificando o contacto com as rochas vulcânicas, falhas preenchidas por filões magmáticos e aspetos de disjunção esferoidal nas rochas testemunhando a atividade magmática resultante do Complexo Vulcânico de Lisboa, permitindo correlacionar as diversas etapas do Ciclo Geológico.
A segunda etapa da saída foi um percurso pedestre na Pedra Furada onde os alunos foram à descoberta de um local de grande importância geológica, arqueológica e de biodiversidade, conhecido pelos seus campos de lapiás. Os campos de Lapiás são. formações geológicas caraterísticas das regiões cársicas (área geográfica caracterizada pela dissolução de rochas solúveis, como o calcário pela água da chuva ligeiramente ácida) que são verdadeiras esculturas na Natureza numa paisagem única com sulcos, fendas, blocos rochosos e outras formas irregulares.
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Observação da biodiversidade e identificação das espécies com recurso a apps.
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Identificação e estudo das caraterísticas das rochas do campo de lapiás da Pedra Furada.
Para além de apresentar um dos melhores exemplos em Portugal de campos de lapiás em calcários do Cretácico Superior, com cerca de 95 milhões de anos, a Pedra Furada – Granja dos Serrões cria microhabitats específicos que albergam uma flora e fauna adaptadas a estas condições, contribuindo para a biodiversidade local. Esse local possui vestígios de ocupação humana desde o Neolítico, com a presença de sepulturas de incineração romanas e necrópoles alto-medievais, fornecendo informações valiosas sobre a história da ocupação humana na região.
Com a aproximação da hora do almoço, foi necessário fazer uma pausa para recuperar energias, e o local escolhido foi o Jardim do Cerco, em Mafra, um oásis de biodiversidade e história. Este local ofereceu um contraste interessante com a natureza selvagem da costa e da Pedra Furada. Neste jardim histórico, os alunos puderam apreciar a diversidade de espécies arbóreas, destacando-se o Teixo, e aprender sobre a sua importância para o equilíbrio ecológico. A visita à Horta dos Frades permitiu conhecer plantas medicinais e aromáticas, utilizadas desde a época da construção do Palácio Nacional de Mafra. A nora centenária, ainda em funcionamento, despertou a curiosidade dos alunos para as técnicas antigas de aproveitamento da água.
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Entrada no jardim do Cerco.
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Explicação no Jardim do Cerco realçando a biodiversidade em especial o Teixo – espécie “em perigo de extinção”.
A última paragem foi no Penedo do Lexim, um miradouro com vistas panorâmicas sobre a região. Após uma breve caminhada rodeados pela vegetação (Quercus coccifera), Zambujeiros (Olea Olea europaea var. sylvestris) enrolados pela Salsaparrilha brava (Smilax aspera) e pelos campos férteis de basalto, chegou-se à chaminé de um antigo vulcão cuja atividade foi interrompida há milhões de anos, mas que deixou o seu vestígio, na disjunção prismática do basalto coberta de musgos e líquenes.
Deste ponto alto, os alunos puderam observar a paisagem em conjunto, identificando os diferentes elementos geológicos e compreendendo a sua relação com a biodiversidade local. Após os alunos terem tirado dúvidas das questões apresentadas no guião, o professor Jorge Fernandes explicou a formação geológica da região, destacando a importância da Serra de Sintra na configuração da paisagem e a presença de impressionantes colunas de basalto, resultado da disjunção prismática.
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Explicação sobre a Geologia e paisagem do Penedo do Lexim. Aspeto da Disjunção prismática no Penedo do Lexim.
A saída de campo proporcionou aos alunos uma experiência de aprendizagem única, combinando o contacto direto com a natureza com a aquisição de conhecimentos sobre biodiversidade e geodiversidade. A observação, a experimentação e a interação com o meio ambiente permitiram (ão) aos alunos consolidar os conteúdos aprendidos (a aprender) em sala de aula e desenvolver uma maior consciência sobre a importância da preservação do património natural. Na fase pós-saída a escola deu notícia no site da escola sobre a saída de campo e os alunos irão realizar posteriormente um trabalho digital.
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