As saídas de campo numa abordagem integrada e/ou interdisciplinar

O Parque Florestal de Monsanto, a serra de Carnaxide e o Parque Natural Sintra-Cascais (Monserrate e Praia Grande do Rodízio) foram os locais onde se desenvolveram as atividades de trabalho de campo com professores, no âmbito de uma ação de Formação.

 

O conhecimento e observação da região através da realização de saídas de campo é fundamental na mobilização das pessoas para a valorização do território - eixo temático da Estratégia Nacional de Educação Ambiental.


E com estas saídas em espaços mais naturais/seminaturais da área Metropolitana de Lisboa os professores puderam constatar as potencialidades que esses locais possuem, para além de outros, na proximidade das suas escolas para algumas das suas ações educativas com os seus alunos. Essa é a finalidade que desejamos, dar a conhecer os espaços verdes urbanos e áreas mais verdes, não só pelo seu valor intrínseco, pelas funções ambientais que desempenham, mas também pelo seu valor educativo que contribuem para que as ações da LPN sejam sequenciais.

 

O conhecimento, observação e apropriação dos valores naturais e culturais de uma região através da realização de saídas de campo são fundamentais na mobilização das pessoas para a valorização do território - eixo temático da Estratégia Nacional de Educação Ambiental.


Nesse âmbito a LPN organizou uma ação de formação de vinte e cinco horas acreditada pelo Conselho Científico de Formação Contínua de Professores dinamizada pelo professor António Almeida da Escola Superior de Educação de Lisboa e Jorge Fernandes, professor destacado na LPN e que teve a sua conclusão no passado mês de setembro.


Esta ação foi dirigida a professores de diferentes níveis de ensino e áreas curriculares e procurou-se incentivar a criatividade dos docentes na produção de atividades mais ricas e adequadas aos seus alunos.


Visou igualmente atenuar o fosso entre a dimensão teórica e prática associada à preparação dos docentes proporcionando o contacto com locais de interesse pedagógico na região de Lisboa, de forma a promover a articulação interdisciplinar e o conhecimento do potencial educativo dos mesmos.

 

Após as sessões realizadas na sede da LPN de preparação e planificação das saídas de campo, de discussão de aspetos metodológicos e de enquadramento interdisciplinar a abordar na construção de guiões e roteiros de exploração, iniciaram-se as atividades de trabalho de campo no Centro de Interpretação do Parque Florestal do Monsanto, onde se visitou uma exposição sobre o antes e depois da sua Florestação.

 

 

Imagens do viaduto Duarte Pacheco na sua inauguração em 1944 e na atualidade.

 

 


Seguidamente os formandos efetuaram trabalhos de campo no Parque Urbano do Calhau com o apoio da Teresa Oliveira, professora destacada pela SPEA e um peddy-paper onde ao longo do percurso entre o parque Urbano do Calhau e o Parque da Pedra se efetuaram algumas questões sobre algumas espécies arbustivas e arbóreas representativas do Parque Florestal do Monsanto bem como uma descrição sobre a sua história, geologia e fauna.

 

Atividades de educação ambiental no Parque Urbano do Calhau com a professora Teresa Oliveira (SPEA).

 

 

Peddy-Paper - Posto Moinho das Três Cruzes, no miradouro, com vista para o povoamento florestal do Parque e para a paisagem urbana.

 

 

No mesmo dia, da parte da tarde a ação decorreu na serra de Carnaxide, um local apetecível para “apetites imobiliários” e que urge preservar. Com cerca de 600 hectares e com uma altitude máxima de 211m, esta Serra é uma das escassas manchas verdes da AML, além de Monsanto e da serra de Sintra.


Para além das atividades realizadas que consistiram na identificação das principais espécies existentes, estimativa das dimensões e idades das plantas, diversidade da vida existente, avaliação de possíveis danos nas árvores, abundância de líquenes e a avaliação da qualidade do solo, tivemos o contributo do Daniel Martins e Jorge Marques, pertencentes ao Movimento de cidadãos Preservar a serra de Carnaxide que nos elucidaram da importância de se aumentar a consciência cívica e a participação tendo em vista a valorização e preservação desta serra.

 

 

Serra de Carnaxide – vista para a clarabóia do aqueduto das francesas.

 

 

As posteriores ações de saídas de campo infelizmente coincidiram com o aparecimento da pandemia e consequente período de confinamento, que começou exatamente na altura em que se iriam realizar as últimas sessões, o que fez com que uma ação que se completaria num espaço de um mês se prolongasse por sete meses, coincidindo a elaboração do trabalho final com o início do outro ano letivo.


Não obstante as restrições impostas pela pandemia, num sábado do mês de setembro desenvolveram-se as ações de saídas de campo, de manhã nos lagos de Monserrate. Nesse local recorreu-se à utilização de tecnologias móveis digitais exemplificando a integração das tecnologias digitais nas atividades de trabalho de campo. Os professores registaram as suas respostas recorrendo aos painéis informativos do Parque Natural de Sintra Cascais (PNSC), num formulário online e ao registo do percurso efetuado através de aplicações móveis.

 

Atividade de trabalho de campo recorrendo-se aos painéis informativos do PNSCE a formulários online e aplicações móveis.

 


Durante a tarde, efetuou-se um percurso interpretativo entre a praia Grande do Rodízio e a praia da Adraga. Ao longo desse percurso observaram-se, de forma segura, as pegadas dos dinossauros e os aspetos relacionados com a biodiversidade e geodiversidade do local.

 

 

Icnofóssies de dinossauros. Praia Grande do Rodízio.

 

 

Praia Grande do Rodízio - Camadas sedimentares, inicialmente horizontais “empurradas” pela ascensão do maciço subvulcânico  de Sintra.

 


Na última sessão já em formato online, os formandos apresentaram os seus trabalhos, nomeadamente a construção de guiões sobre as saías de campo realizadas aplicando os conhecimentos adquiridos na ação, relativos à construção de um guião.

 

 

 

Esta ação, que inicialmente era uma ação obrigatoriamente presencial, atravessou os períodos de restrição derivados da Pandemia prolongando bastante a sua duração. Como mencionou um dos nossos formandos da ação, Paulo Marques "As saídas de campo, vulgares “visitas de estudo”, são o instrumento adequado para dar sentido às abordagens teóricas em sala de aula. Compreender e tornar seu o conhecimento só é plenamente conseguido com a estimulação sensorial. Ver, cheirar, tocar, ouvir e provar são recursos sensoriais incontornáveis para uma real apreensão, consolidação e mobilização”.


A utilização e o contributo do trabalho cooperativo em contexto de atividades de natureza parece contribuir para a melhoria das aprendizagens ao nível da inclusão dos alunos na turma, das competências científicas, da aprendizagem dos conceitos científicos assim como para o desenvolvimento de algumas das competências transversais propostas pelo currículo, indo ao encontro dos diversos documentos orientadores como sejam o perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória, do referencial de Educação para a Sustentabilidade, da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e dos pilares essenciais da ENEA - Estratégia Nacional de Educação Ambiental 2020.

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