Biodiversidade em perigo do PNSC

Fotografia de Margarida Sá Pires

 

 

No passado dia 14 de julho, as famílias reuniram-se no litoral do Parque Natural Sintra Cascais (PNSC) para conhecer a Biodiversidade em Perigo. Desta vez, entre o Cabo da Roca e o Cabo Raso, mais precisamente, entre a praia da Cresmina e os filões cruzados da costa do Abano. Tendo como paisagem de fundo os vales suspensos foi realçada a importância histórica do Forte da Cresmina e do Forte do Guincho na defesa da costa portuguesa.

 

Dada a imponente biodiversidade extinta das camadas cretácicas, com moluscos bivalves como Rudistas e Ostreídeos, moluscos gastrópodes como Nerineídeos, Cnidários como corais recifais apontando para condições marinhas restritas, de muito pequena profundidade em regime de águas quentes foi realizada uma breve caracterização geológica das rochas aflorantes no PNSC dando o mote para a apresentação da Arquiteta Paisagista Sandra Mesquita, do Centro de Ecologia Baeta Neves, que explicou as dificuldades sentidas pelos seres vivos, nomeadamente a flora, nas zonas rochosas e  zonas dunares face aos fatores abióticos. Neste local, marcaram presença as famílias: Plumbaginaceae Limonium ovalifolium (Poir.) Kuntze e Armeria welwitschii Boiss; Apiaceae, com o funcho marítimo-Critmum maritimum L. e Asteraceae –Helicrisium sp.

 

Fotografia de Cristina Rocha

 

Seguindo o percurso no Centro de Interpretação das dunas de Cresmina foi possível observar flora típica das dunas em habitats protegidos pela rede natura2000. No sentido de conhecer para proteger aos participantes foi dado a compreender o significado de espécie: invasora, autóctone e endémica. As dunas de Cresmina têm vindo a ser recuperadas pela ação do homem numa tentativa de fixação das areias pela flora dunar ou mesmo usando as paliçadas.

 

Pelo passadiço, o elenco florístico distribui-se por uma variedade de famílias que delicia o olhar. As gramíneas fixadoras de dunas-Poeaceae, como o estorno - Ammophila arenaria Link., feno-das-areias Elymus farctus (Viv.) Runemark ex Melderis, entre outras marcam presença na camada subaérea da duna, sem revelar os sistemas radiculares ocultos nas areias dunares.

 

Fotografia de Margarida Sá Pires

 

As boas condições climatéricas presentearam as famílias com Sol e uma brisa marítima refrescante e os participantes são convidados a entrar no sinclinal da Praia do Guincho e observar rochas magmáticas basálticas da chaminé vulcânica. Perto do bar do Guincho, debaixo da sombra de uma majestosa árvore, uma da família das Cupressaceae, as famílias participantes ingeriram o almoço volante e foi realizada uma caracterização do PNSC, seus limites, litologia, geomorfologia, fauna e flora e percursos disponíveis para conhecer a riqueza da sua biodiversidade.

 

Retomando o caminho, pelos campos de lapiás, na praia do Abano, descemos na escala do tempo geológico, saímos do Cretácico e entramos no Jurássico. A arquiteta Sandra Mesquita alertou para a importância da conservação de alguns endemismos sintrenses como a miosótis-das-praias – Omphalodes kazunskianae Willk. ou ainda a cravina - Dianthus cintranus Boiss & Reuter e reforçou biogeograficamente o tipo de vegetação existente no PNSC, uma flora mediterrânica.

 

Fotografias de Sandra Mesquita

 

A lajes jurássicas da “Formação de Mem-Martins” e o cortejo filoneano antecipavam o final do percurso. Na paisagem virados para norte, lá estavam os filões cruzados, imóveis e imponentes a intersetar as camadas calcárias. No percurso de volta, rumo à praia do Guincho e à praia da Cresmina, os participantes  finalizaram o percurso mas ficou a vontade de avançar até à praia da Grota, até à “Formação Xistos do Ramalhão”.

 

Fotografias (cima e baixo) de Vitor Martins

 

 

 

 

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