Num percurso entre o mar e a serra, professores e cidadãos descobriram a riqueza natural, geológica e cultural da Arrábida, refletindo sobre os desafios da sua conservação. Inspirada pelo legado de Sebastião da Gama e promovida pela LPN no âmbito do Festival de Caminhadas da Arrábida 2026, esta ação de formação proporcionou um contacto direto com o território, sensibilizando os participantes para a importância da proteção da biodiversidade, da geodiversidade e do património natural e cultural da Arrábida.
No passado dia 30 de maio de 2026, realizou-se uma ação de formação dirigida a professores e cidadãos, integrada no Festival de Caminhadas da Arrábida 2026. A iniciativa foi dinamizada pelo professor em mobilidade estatutária na LPN - Jorge Fernandes, com a colaboração da arqueóloga Paula Covas, do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS), proporcionando uma abordagem integrada aos valores naturais, geológicos, arqueológicos, históricos e culturais de um dos territórios mais emblemáticos do país.
Ao longo da caminhada, os participantes tiveram oportunidade de conhecer a estreita relação entre os valores naturais e culturais da região, visitando locais de elevado interesse patrimonial, como a Estação Arqueológica Romana do Creiro, o Portinho da Arrábida, o Forte de Santa Maria, o Museu Oceanográfico Professor Luiz Saldanha e a Lapa de Santa Margarida.
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O percurso iniciou-se junto à Estação Arqueológica Romana do Creiro, onde a drª Paula Covas permitiu aprofundar o conhecimento sobre a ocupação humana da Arrábida ao longo dos séculos, em particular na Estação Arqueológica Romana do Creiro, evidenciando a importância histórica dos recursos marinhos e a relação das comunidades humanas com este território.
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Numa abordagem integrada dos valores naturais e culturais da Arrábida, o Professor Jorge Fernandes contextualizou a formação geológica da cadeia da Arrábida, explicando os principais processos responsáveis pela singularidade deste território. Foram ainda apresentados diversos aspetos relacionados com a biodiversidade da serra, destacando-se algumas espécies características dos matagais mediterrânicos da Arrábida e para a importância da sua conservação face às crescentes pressões humanas sobre os ecossistemas.
Ao longo do percurso, os participantes foram desafiados a assumir um papel ativo na construção do conhecimento através de uma sequência de questões, desafios e atividades interpretativas distribuídas por seis estações de paragens. Recorrendo simultaneamente a suportes analógicos e digitais, os formandos resolveram adivinhas, responderam a questões de conhecimento e realizaram exercícios de observação e interpretação relacionados com a biodiversidade, a geologia, a paisagem, a influência da ação humana e os valores patrimoniais dos locais visitados. Esta metodologia permite promover uma aprendizagem participativa, estimulando a curiosidade, a observação e o pensamento crítico.
Na caminhada foi também evocada a figura de Sebastião da Gama, poeta e professor profundamente ligado à Serra da Arrábida e à formação da LPN. O seu legado literário e pedagógico constituiu um elemento inspirador da atividade, reforçando a importância da observação, da contemplação e do respeito pela natureza como instrumentos de educação e cidadania ambiental, em plena sintonia com a missão da LPN.
A visita ao Museu Oceanográfico Professor Luiz Saldanha através da orientação realizada pela guia Mafalda a permitiu aprofundar o conhecimento sobre a extraordinária biodiversidade marinha da Arrábida e o trabalho de investigação desenvolvido neste território. Foi igualmente destacada a importância da criação do Parque Natural da Arrábida e do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, áreas protegidas fundamentais para a conservação de habitats e espécies de elevado valor ecológico.
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Outro dos momentos de destaque foi a apresentação do projeto europeu DIVERSEA pela técnica Teresa Fonseca da LPN. Financiado pelo Programa Horizon Europe, Este projeto pretende revolucionar a monitorização da biodiversidade marinha e costeira através da utilização de tecnologias inovadoras como a robótica autónoma, a análise de ADN ambiental e a observação por satélite. Estas ferramentas permitirão obter informação mais detalhada sobre a saúde dos ecossistemas marinhos, apoiando cientistas e decisores na definição de estratégias de conservação mais eficazes para os oceanos.
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A ação constituiu também uma oportunidade para refletir sobre os desafios atuais da conservação. Entre os temas abordados estiveram os impactes da pressão humana sobre o território, o aumento da procura turística, a necessidade de compatibilizar a fruição dos espaços naturais com a sua proteção, a problemática das espécies exóticas invasoras e os efeitos das alterações climáticas sobre os ecossistemas costeiros.
Particular destaque foi dado à erosão costeira e à perda de sedimentos nas praias da Arrábida. Através da observação e comparação de fotografias antigas e atuais, os participantes puderam constatar as alterações verificadas ao longo das últimas décadas, identificando a redução da largura e comprimento da praia do Creiro e refletindo sobre os fatores naturais e antrópicos que contribuem para este fenómeno.
A iniciativa que contou com a colaboração da Câmara Municipal de Setúbal, no final da atividade, presenteou os participantes com um vaso de murta (Myrtus communis), uma das espécies mais características da vegetação mediterrânica da Arrábida. Este arbusto aromático de folha persistente, conhecido pelas suas flores brancas e frutos escuros muito apreciados pela fauna, desempenha um importante papel ecológico nos ecossistemas mediterrânicos, contribuindo para a biodiversidade e para a proteção dos solos. Este gesto simbólico procurou reforçar a ligação dos participantes ao património natural da região e sensibilizar para a importância da conservação das espécies autóctones.
Mais do que uma simples caminhada, esta iniciativa constituiu uma verdadeira experiência de educação ambiental e patrimonial numa região icónica para a LPN, demonstrando como a interpretação do território pode contribuir para uma compreensão integrada dos processos naturais, culturais e históricos. Através do contacto direto com a paisagem e da participação ativa nos desafios propostos, os formandos reforçaram conhecimentos e desenvolveram uma maior consciência sobre a necessidade de proteger os valores naturais e culturais da Arrábida para as gerações futuras.
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