No dia 12 de setembro, a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) promoveu a ação de formação de professores com o apoio da EPAL «Caminhos da Água: Percursos de Natureza e Património em Lisboa», que proporcionou uma experiência de aprendizagem ao ar livre, através da descoberta da relação entre a água, a geologia e a biodiversidade da capital.
Ao longo de um percurso pedestre de aproximadamente 5 km, os participantes percorreram diferentes espaços naturais, patrimoniais e urbanos, numa viagem que teve início no Parque do Calhau, em Monsanto, e terminou junto ao Geomonumento da Rua Sampaio Bruno.
Uma viagem pelos caminhos da água
A metodologia da ação de formação integrou atividades de exploração orientada do território, através de desafios e questões de resposta, com recurso a um guião digital desenvolvido em Google Forms e disponibilizado igualmente em formato analógico. O percurso foi organizado em três estações de aprendizagem: Estação 1 — Parque do Calhau; Estação 2 — Jardim Teófilo Braga (Jardim da Parada); e Estação 3 — Geomonumento da Rua Sampaio Bruno.
Na primeira estação, localizada no Parque do Calhau, os participantes selecionaram o respetivo «grupo de investigação» e iniciaram a realização das atividades propostas no guião. Ao longo desta etapa, com o apoio do formador Jorge Fernandes e de Rui Queiroz, participante na ação e antigo responsável pelo acompanhamento das Árvores de Interesse Público, os participantes foram convidados a observar e interpretar os elementos naturais e patrimoniais do espaço, respondendo às questões e resolvendo os desafios apresentados.
No final desta estação, junto à entrada do Aqueduto das Águas Livres, procedeu-se à análise conjunta das respostas dadas pelos participantes durante as atividades realizadas no Parque do Calhau através da passagem pelo Moinho das Cruzes, testemunho da utilização tradicional dos recursos naturais, até à entrada do imponente Aqueduto das Águas Livres, uma das mais extraordinárias obras de engenharia hidráulica do século XVIII. Esse momento de partilha e reflexão permitiu comparar as diferentes interpretações, esclarecer dúvidas e consolidar os conhecimentos adquiridos.
Após esta análise, todos os participantes passaram a desenvolver as atividades em conjunto, prosseguindo o percurso para as estações seguintes — Jardim Teófilo Braga (Jardim da Parada) e Geomonumento da Rua Sampaio Bruno. Esta organização favoreceu a aprendizagem colaborativa, articulando a observação direta, a resolução de desafios, a partilha de conhecimentos e a reflexão conjunta ao longo do percurso.
O caminho pelo Aqueduto permitiu compreender a importância da água no abastecimento e desenvolvimento de Lisboa, bem como o papel das infraestruturas hidráulicas na transformação da cidade ao longo dos séculos.
O percurso prosseguiu até ao Jardim da Parada, onde os participantes puderam observar exemplares arbóreos de grande porte, incluindo árvores classificadas como de Interesse Público. Neste espaço verde, de características singulares, foram também convidados a refletir sobre a eventual construção da futura estação de Campo de Ourique e sobre os seus possíveis impactos.
A partir de questões orientadoras, que suscitaram diferentes perspetivas sobre o significado de «interesse coletivo», promoveram-se a troca de ideias e a partilha de opiniões acerca das estratégias de participação cívica mais informadas e potencialmente eficazes na defesa do ambiente. Nesta paragem, juntaram-se ainda à atividade mais três participantes que, apesar de não estarem inscritos, se mostraram interessados na ação de formação que estava a decorrer.
A etapa final conduziu os participantes ao Geomonumento da Rua Sampaio Bruno, um local de elevado interesse geológico que permite compreender alguns aspetos da história geológica da região de Lisboa. Após uma breve explicação sobre a geologia da cidade, os participantes observaram fósseis de briozoários, testemunhos de um antigo ambiente marinho litoral, de águas pouco profundas e favoráveis ao desenvolvimento de condições recifais, há cerca de 20 milhões de anos, durante o Aquitaniano, no Miocénico inferior.
A visita orientada e a interpretação das questões e dos desafios propostos permitiram ainda refletir sobre a importância da conservação destes afloramentos, enquanto verdadeiras «memórias in situ» do território. Para além do seu valor científico, constituem recursos educativos e culturais que importa valorizar, contribuindo igualmente para a promoção do geoturismo.
Ao longo desta ação, os participantes fizeram uma “viagem evolutiva” pela geologia de Lisboa e pela sua biodiversidade urbana, estabelecendo relações entre os elementos naturais, nomeadamente a água, e os processos de ocupação e transformação humana do território, numa perspetiva interdisciplinar, cruzando conhecimentos de Geologia, Ecologia, História, Arquitetura, Urbanismo e Educação Patrimonial.
Valorizando o território como um recurso pedagógico privilegiado, a formação procurou ainda capacitar os professores para a dinamização de futuras atividades de visita de estudo, incentivando a utilização dos espaços naturais e patrimoniais de Lisboa como locais de aprendizagem e descoberta.
Com esta ação, a LPN reforçou o seu compromisso com a formação de professores e com a promoção de uma Educação Ambiental baseada no conhecimento, na experiência direta e na valorização do território de acordo sobretudo com os eixos da proposta da ENEA 2030– Unir a Água com Eficiência, Restaurar os Ecossistemas e Agir pelo Clima.
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