Comunidade junta-se para reviver as histórias da Lagoa de Óbidos

O momento antecipava-se de partilha, mas foi muito mais que isso. Histórias, memórias, objetos e sons, despertaram um sentimento coletivo de nostalgia, emoção e esperança nas mais de 60 pessoas que na tarde de 12 de janeiro se juntaram na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha para conhecer mais sobre a iniciativa “Memórias da Lagoa de Óbidos”.

 

 

A ideia era dar a conhecer o fim de semana “Dias da Memória da Lagoa de Óbidos”, que se realiza já a 26 e 27 de janeiro com o objetivo de recolher testemunhos orais, materiais e imagens que serão posteriormente estudados e organizados com o fim de integrarem a plataforma do programa “Memórias Para Todos” e os conteúdos informativos do Centro de Interpretação para a Lagoa de Óbidos, com vista à divulgação e à preservação deste património local.

 

 

Mas a resposta da comunidade à participação no evento superou as expectativas e houve vários momentos de partilha com a plateia. Memórias da pesca e da apanha de bivalves, em que a entre ajuda vivida pela comunidade piscatória fazia superar as dificuldades da vida dura na lagoa. Momentos de convívio e de lazer, de inspiração. Objetos que os mais novos nunca tiveram oportunidade de conhecer, desde conchas de animais que hoje dificilmente se veem na lagoa, a boias de vidro e de cortiça utilizadas pelos pescadores, ao apupo (concha) que era tocado para juntar a população quando era preciso unir esforços para, mesmo que a braços, restabelecer a ligação da lagoa ao mar. Histórias de reis e de famílias de papel relevante na história do nosso país, que por ali passaram e deixaram a sua marca. Lendas e estórias perpetuadas de geração em geração e episódios históricos de naufrágios de embarcações que ainda hoje jazem junto à lagoa. Histórias de vida de uma comunidade que sempre viveu de e para a lagoa, cuja morte anunciada teimam corajosamente em adiar há vários séculos.

 

 

A iniciativa “Memórias da Lagoa de Óbidos”, enquadrada no programa Memória para Todos, é promovida pelo Instituto de História Contemporânea / Centro República (NOVA FCSH) e pela associação KEEP, em parceria com o projeto “Centro de Interpretação para a Lagoa de Óbidos”, do Orçamento Participativo Portugal (OPP), que, durante a fase de levantamento de informação local, identificou saberes, modos de fazer, formas de expressão, lendas e episódios que marcaram a história da Lagoa de Óbidos e das suas gentes.

 

 

A equipa de investigadores que fará a recolha das histórias e memórias da Lagoa de Óbidos convida todos os cidadãos que conhecem e que têm vivido a Lagoa de Óbidos a virem ao seu encontro nos dias 26 e 27 de janeiro no INATEL da Foz do Arelho, entre as 10h e as 17h, para partilharem os seus testemunhos orais, documentos, fotografias e objetos com ligação à Lagoa de Óbidos, um lugar único que é património de todos nós.

 

 

“Faça história partilhando a sua.”

 

 

O “Centro de Interpretação para a Lagoa de Óbidos”, promovido pela LPN em parceria com as Câmaras Municipais das Caldas da Rainha e de Óbidos e o Conselho da Cidade – Associação para a Cidadania, é um projeto que tem crescido alimentado pela motivação e participação da população local na sua implementação e pela incrível resposta de outras entidades que a ele se têm juntado. A iniciativa “Memórias da Lagoa de Óbidos” é um dos melhores exemplos deste esforço e trabalho em parceria pelo bem comum e salvaguarda do nosso património histórico-cultural e natural.

 

 

A todos os envolvidos, designadamente aos cidadãos, entidades e órgãos de comunicação social locais que tanto se têm dedicado a estas iniciativas, deixamos um reconhecido agradecimento.

 

 

Esta iniciativa conta com o importante apoio da Fundação INATEL, através da disponibilização da sua unidade hoteleira na Foz do Arelho para acolhimento do evento de 26 e 27 de janeiro.

 

 

O Centro de Interpretação para a Lagoa de Óbidos é um projeto que permite abordar, divulgar e estudar diversas áreas do conhecimento como a ecologia, biologia, história, sociologia e etnologia da Lagoa de Óbidos. É financiado pela FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia e pela Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.

 

 

Miguel é um dos jovens da terra. Apaixonado pelo mar, herdou do seu avô vários objetos ligados à história da Lagoa de Óbidos, aos quais foi juntando outros que foi encontrando. Na foto segura uma boia de vidro.

 

 

 

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