Despertar para a Natureza no Parque Natural Sintra-Cascais e no Penedo do Lexim

Alunos da Escola Secundária do Lumiar, no âmbito do Projeto Despertar para a Natureza, coordenado pela LPN e apoiado pela EPAL, visitaram o Parque Natural Sintra-Cascais e o Penedo do Lexim, observando e estudando a sua Geodiversidade e Biodiversidade, mas também a necessidade que temos de preservar o património natural e cultural.

 

 

O Parque Natural de Sintra- Cascais (PNSC) e o Concelho de Mafra reúnem diversos locais de interesse Geológico, de grande biodiversidade, com ocorrências naturais, que pela sua singularidade ou representatividade em termos ecológicos e culturais exigem a sua conservação. São locais base da Estratégia Nacional da Conservação da Natureza, fazendo parte simultaneamente da “Lista Nacional de Sítios” respondendo à criação da Rede Natura 2000, sendo por isso um património europeu.

 

Dado o valor didático e pedagógico que o PNSC e o concelho de Mafra reúnem, a professora Inês Passos da Escola Secundária do Lumiar, com o apoio do professor destacado da LPN organizou uma saída de campo, com alunos do 10º ano do Curso de Ciências e Tecnologias, no âmbito da disciplina de Biologia e Geologia e da área de Cidadania e Desenvolvimento com as seguintes paragens: Praia do Magoito – Campo de Lapíás da Granja dos Serrões e Penedo do Lexim.

 

Com o objetivo de proporcionar uma experiência diferente – o de promover uma maior integração entre a teoria dos currículos escolares e a prática, vivenciando os locais, munidos de um guião bastante completo, os alunos iniciaram a sua saída na praia do Magoito.

 

 

 

Explicação do enquadramento natural da praia do Magoito.

Fotografia de Inês Passos.

 

 

 

No local, vindos de sul, quando descemos do autocarro financiado pela EPAl para a saída de campo, o ruído constante das ondas embalava a nossa chegada. Estava mais um dia com temperaturas acima do normal para o mês de abril, o que proporcionava boas condições meteorológicas para a saída, mas que nos preocupava face ao impacto das altas temperaturas e da ausência de precipitação na biodiversidade.

 

Após o enquadramento natural da praia do Magoito efetuado pelo professor destacado da LPN, mencionou-se a necessidade da preservação das dunas, observando-se a norte a duna consolidada ou Paleoduna.  Esta, foi formada há cerca de 10 000 anos atrá durante um período de glaciação quando o mar recuou cerca de 100 metros e representa um estado de transição de areia solta para o arenito. Também se identificaram dois sítios arqueológicos que permitiram a sua datação com base em restos de cozinha, estruturas de lareiras, instrumentos de sílex e de cerâmica encontrados no local.

 

 

 

Observação da paleoduna ou duna consolidada da praia do Magoito.

 

 

 

Após identificação e referência às espécies invasoras, como seja o Chorão - Carpobrutus edulis que já prolifera, inclusivamente, na própria paleoduna, caminhou-se para norte, passando pelo forte de Santa Maria, edificado no tempo de D. João IV para reforçar o sistema defensivo da costa e seguindo pela arriba na antiga plataforma de abrasão de São João das Lampas eram visíveis os aspetos da ação da erosão do litoral. A erosão é essencialmente resultante da ação das ondas nas arribas com famílias de descontinuidades, fraturas e desligamentos apresentando erosão diferencial resultando em queda de blocos por perda de sustentação.

 

 

 

Observação na vertente norte da Praia do Magoito e Praia da Aguda.

Fotografia de Inês Passos.

 


 
A norte da praia do Magoito observavam-se falhas preenchidas por filões magmáticos e aspetos de disjunção esferoidal nas rochas magmáticas testemunhando a atividade magmática resultante do Complexo Vulcânico de Lisboa permitindo correlacionar as diversas etapas do Ciclo Geológico.

 

 

Norte da praia do Magoito. Falha preenchida por um filão de basalto.

Fotografia de Inês Passos.

 

 


O destino seguinte era ainda no Concelho de Sintra e na área do PNSC, concretamente o campo de lapiás da Granja dos Serrões, Aí mergulhou-se por um caminho labiríntico de estranhas e curiosas estruturas calcárias formando aquilo que se designa por um campo de Lapiás. Os campos de Lapiás são formações típicas de relevos cársicos, produzidas pela dissolução de rochas calcárias ou dolomíticas. Algumas tinham mais de dois metros de altura e estima-se que foram formadas há cerca de 80 mil anos pela ação da água rica em dióxido de carbono. Ao longo do percurso íamos identificando e referenciando a importância das espécies autóctones, como o carvalho cerquinho e o carrasco. Com o auxílio das aplicações móveis fomos descobrindo outras espécies da flora da região.

 

 

Percurso efetuado pelo Campo de Lapiás da Granja dos Serrões.

Fotografia de Inês Passos.

 

 

 

Quando saímos do Campo de Lapiás da Granja dos Serrões, passando pela zona de exploração e transformação dos calcários, que servem como matéria prima para revestimentos, cantarias e rochas ornamentais, já era hora do almoço, e iniciámos o piquenique nas imediações, no Parque da Segueteira, com a luz do sol brilhante a aquecer-nos, ladeados de Carvalhos e por altas esculturas de lapiás, alguns com formas zoomórficas.

 

Após o almoço reconfortante, pelo caminho, mais próximo do nosso destino, o Penedo do lexim,  começamos a observar várias elevações topográficas que correspondem a antigas chaminés vulcânicas magmáticas, como sejam a Oeste a dos Cartaxos, junto a Cheleiros e a nordeste Serra do Funchal e Jarmeleira pertencentes ao Complexo Vulcânicos de Lisboa-Mafra, sendo testemunhos de um importante episódio magmático ocorrido no Cretácico Superior que intruíu os calcários e margas.

 

Chegados junto ao penedo do Lexim, que ocupa uma posição de destaque na região, efetuámos um pequeno percurso pedestre rodeados pelas vinhas do conceituado vinho de Cheleiros, e de um rico coberto vegetal com várias espécies autóctones e imensos líquenes epífitos fruticulosos (indicadores de boa qualidade do ar) até observarmos a estrutura, que tem a particularidade de ser constituída por filas de prismas de basalto, designadas por disjunções prismáticas. O seu valor é inegável, de tal forma que, se há alguns anos era explorada pela indústria extrativa, atualmente é caraterizado por ser Imóvel de Interesse Público e Geossítio.

 

Aí o professor destacado na LPN mencionou que o local materializava uma antiga conduta vulcânica, alimentando um aparelho vulcânico a partir de uma câmara magmática, localizada em profundidade, desde o Cretácico Superior. Os prismas observados que formam as colunas desde tipo de disjunção, formaram-se em consequência da contração das rochas durante o arrefecimento do magma.

 

Todos esses locais visitados constituem valores científicos, didáticos e pedagógicos que importa salvaguardar e valorizar. Esse é um dos objetivos do Projeto Despertar para a Natureza da LPN que com o apoio da EPAL proporciona em consonância com a estratégia Nacional de Educação Ambiental e Estratégia da Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030, para que o património natural possa continuar a ser usufruído por todos nós e pelas futuras gerações.

 

 

 

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