Em busca de novas oportunidades para o abutre-preto na Serra de São Mamede
A Serra de São Mamede reúne condições favoráveis para apoiar a expansão do abutre-preto (Aegypius monachus) em Portugal. Para avaliar este potencial, as equipas da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e da Vulture Conservation Foundation (VCF) visitaram Vale de Mouro, uma propriedade com 709 hectares gerida pela ANTARR – Gestão Florestal.

 

 

O Parque Natural da Serra de São Mamede encontra-se na área de expansão da população de abutre-preto, atualmente em recuperação. A proximidade às colónias do Tejo Internacional e da Sierra de San Pedro, em Espanha – uma das maiores colónias reprodutoras da espécie a nível mundial – reforça a importância desta região para uma possível recolonização.

 

A paisagem oferece também condições adequadas à nidificação, com áreas florestais em zonas de relevo e árvores de grande porte capazes de suportar os grandes ninhos característicos da espécie. A presença de grifos reprodutores confirma igualmente a importância da região para as aves necrófagas.

 

É neste contexto que surge o Vale de Mouro. A propriedade é dominada pelo montado de sobro, integrando também áreas de pinheiro-manso e eucalipto, e é gerida pela ANTARR, empresa criada em 2021 com o objetivo de gerar valor ambiental, social e económico através da valorização do capital natural. Entre as prioridades para os próximos anos encontram-se a melhoria da produtividade do montado, a recuperação das galerias ripícolas e a valorização de habitats importantes para a biodiversidade.

 

“A região da Serra de São Mamede possui condições ótimas para a recolonização pelo abutre-preto. A visita ao Vale de Mouro permitiu-nos identificar oportunidades muito promissoras para apoiar o regresso da espécie e reforçar a sua conservação nesta região, pelo que agradecemos à ANTARR a disponibilidade para colaborarmos nesse sentido”, destaca Eduardo Santos, membro da equipa de conservação da LPN e responsável pelo projeto LIFE Aegypius Return.

 

 

 

 

 

 

 

Novas possibilidades de colaboração

 

Durante a visita, as equipas do LIFE Aegypius Return e da ANTARR identificaram diferentes possibilidades de colaboração que poderão contribuir para criar condições favoráveis ao estabelecimento do abutre-preto na região.

 

Uma das ações em análise é a instalação de plataformas artificiais de nidificação em árvores adultas adequadas, procurando incentivar futuras tentativas de reprodução. Foi também discutida a possibilidade de criar uma Área de Proteção e Alimentação de Aves Necrófagas (APAAN), utilizando cadáveres de ovelhas e cabras provenientes dos rebanhos que pastoreiam na propriedade. Estas áreas permitem disponibilizar alimento seguro às aves necrófagas, mantendo condições próximas das naturais, e podem desempenhar um papel importante no apoio às populações destas espécies.

 

A visita permitiu ainda partilhar conhecimentos e experiências sobre gestão florestal sustentável e conservação da biodiversidade, tendo em consideração o papel determinante que as propriedades privadas podem ter na recuperação do abutre-preto, ao disponibilizarem habitat adequado para nidificação, reduzirem potenciais fontes de perturbação e contribuírem para a disponibilidade de alimento.

 

 

 

 

 

 

 

Uma rede de territórios para o regresso do abutre-preto

 

A recuperação do abutre-preto em Portugal não depende apenas das intervenções realizadas dentro de áreas protegidas. A colaboração com proprietários, agricultores, produtores pecuários e gestores florestais é essencial para criar uma rede de territórios onde a espécie encontre condições para se alimentar, nidificar e expandir a sua população.

 

É precisamente esta rede que o LIFE Aegypius Return procura reforçar em Portugal e no oeste de Espanha, trabalhando com proprietários, comunidades locais, autoridades públicas e outros agentes do território para restabelecer um estado de conservação favorável para a espécie. Cada nova parceria pode representar mais uma oportunidade para o abutre-preto recuperar antigos territórios e consolidar o seu regresso a Portugal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre o projeto LIFE Aegypius Return

 

 

 

O projeto LIFE Aegypius Return é cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia. O seu sucesso depende do envolvimento de todos os stakeholders relevantes, e da colaboração dos parceiros: a Vulture Conservation Foundation (VCF), beneficiário coordenador, e os parceiros locais Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, Herdade da Contenda, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Liga para a Protecção da Natureza, Faia Brava – Associação de Conservação da Natureza, Fundación Naturaleza y Hombre, Guarda Nacional Republicana  e Associação Nacional de Proprietários Rurais Gestão Cinegética e Biodiversidade

 

 

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