Experienciar a Natureza na Herdade da Mourisca com a LPN

O Centro de Formação da LPN, em colaboração com o Departamento de Educação da Câmara Municipal de Setúbal, promoveu no dia 20 de setembro, uma ação de formação para professores na Herdade da Mourisca, inserida na Reserva Natural do Estuário do Sado.

 

A iniciativa, dirigida a docentes de diferentes níveis de ensino, foi dinamizada pelo professor em mobilidade estatutária na LPN e teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a biodiversidade, geodiversidade, e ocupação humana no estuário do Sado-Herdade da Mourisca, por forma a se desenvolverem práticas futuras de educação ambiental com os alunos, promovendo-se uma maior ligação entre o património natural, cultural e a prática educativa.

 

A ação teve início com uma sessão teórica nas instalações da Casa do Pão (junto ao Moinho de Maré da Mourisca), onde se salientou a importância e a necessidade de proteger as zonas húmidas, a biodiversidade, os ecossistemas de sapal e os impactos das alterações climáticas no Estuário do Sado. Foram igualmente apresentadas diversas potencialidades educativas das aplicações digitais, como ferramentas de georreferenciação, identificação de espécies e pesquisa de informação. Debateram-se ainda os efeitos das tecnologias móveis nas práticas pedagógicas ao ar livre e nas saídas de campo. Seguidamente, de forma autónoma e recorrendo a uma metodologia participativa, os participantes realizaram um percurso interpretativo estruturado em estações temáticas, previamente preparadas e assinaladas com códigos QR.

 

Sessão teórica inicial de introdução ao Estuário do sado e Herdade da Mourisca

 

 

 

 

 

Nesta ação, os participantes, organizados em diferentes grupos, percorreram um itinerário previamente definido por uma aplicação móvel, com registo em sete estações georreferenciadas ao longo do percurso, respondendo a alguns desafios com questões sobre Geodiversidade, Biodiversidade, Geografia e História do Estuário do Sado – Herdade da Mourisca, incluídos nos seguintes temas/estações: 1. “Onde a Água e a Terra se Encontram”; 2. “Mistérios do Sapal”; 3. “Espiões das Aves”; 4. “Plantas Superpoderosas”; 5. “Macrobentónicos”; 6. “Ostras e Bivalves”; 7. “Montado”.

 

Recorrendo às tecnologias móveis, com os smartphones ligados ao GPS e gravando o seu percurso, os participantes iam respondendo aos desafios/questões apresentados em cada estação, identificando algumas espécies, descrevendo, registando as suas observações através de fotos, e simultaneamente usufruindo da paisagem, o que possibilitou a observação direta, a reflexão crítica, a aplicação prática de conceitos trabalhados ao longo da sessão e a partilha de experiências.
 

 

 

 

Final do percurso com os participantes exibindo os cartazes que incluíam os códigos Qr de cada estação/posto do itinerário.

 

 

Depois da partida do último grupo, o professor dinamizador aplicou uma metodologia mais orientada ao longo do percurso e, no final, todos os grupos se encontraram na cafetaria do Moinho de Maré da Mourisca para discussão e análise dos resultados. Após a ação, efetuou-se um brinde entre todos os participantes, com a oferta de um moscatel pela Câmara Municipal de Setúbal.

 

 

 

 

A metodologia interativa permitiu aliar o contacto direto com o património natural e cultural à utilização de ferramentas digitais, promovendo aprendizagens significativas e a novas estratégias para a educação ambiental. Não obstante existirem limitações atualmente à utilização das tecnologias móveis na educação, e reconhecendo-se algumas desvantagens, o balanço final foi extremamente positivo, com os participantes a destacarem a qualidade dos conteúdos, a relevância pedagógica do local e o caráter prático da metodologia adotada.

 

Parece consensual que a maioria dos professores, reconhece que a integração das tecnologias móveis em atividades ao ar livre e em saídas de campo contribui para a motivação e melhoria da qualidade do ensino e das aprendizagens.
Consequentemente, esta mudança de paradigma implica uma alteração do papel do professor/orientador, não visto como único detentor do conhecimento e transmissor, mas sim como mediador/organizador. Cabe à escola e aos professores apoiar os seus alunos (nativos digitais) no “bom uso” destas tecnologias, com equilíbrio para fins de aprendizagem, pois estes dispositivos são importantes também nas vidas dos alunos (e dos adultos), e este facto não se irá alterar num futuro próximo; antes pelo contrário.


A ação de formação buscou essa mudança de paradigma reforçando a importância das saídas de campo enquanto recurso educativo e sensibilizando para a necessidade de nos conectarmos à natureza, de proteger e valorizar o património natural e cultural do Estuário do Sado.

 

 

Itinerário do percurso

 

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