LIFE Saramugo conclui mais uma ação de reabilitação fluvial

Em outubro de 2018, deu-se início aos trabalhos de restauro fluvial na ribeira de Safareja, no SIC Moura-Barrancos (uma das 3 áreas de intervenção do Projeto). Esta intervenção abrangeu um troço ribeirinho com cerca de 600 metros onde existe um pego com registos de ocorrência de saramugo e se verificava um elevado assoreamento do leito, um elevado grau de erosão das margens e consequentemente um défice de vegetação ribeirinha.


Os trabalhos deram-se em três fases. Numa 1ª fase realizou-se o desassoreamento do leito da ribeira, nos locais onde se verificava uma maior colmatação. O primeiro local a ser intervencionado foi o pego onde era conhecida a existência de saramugos. Para evitar a mortalidade de peixes procedeu-se primeiramente à sua captura, tendo-se salvaguardado verdemãs, bogas, bordalos e cerca de 4.500 saramugos, que foram devolvidos ao pego após a retirada de sedimentos. No total e com recurso a maquinaria pesada foram retirados cerca de 3.000m3 de sedimentos finos e cascalho. Com esta operação espera-se aumentar sobretudo a disponibilidade de água no período mais crítico do ano para os peixes, o verão.

 

Desassoreamento do leito da ribeira com maquinaria pesada.

 


Os sedimentos retirados foram por sua vez usados no reperfilamento de taludes ao longo do troço intervencionado. Para a sua estabilização, deu-se início à 2ª fase dos trabalhos a qual consistiu na execução de uma técnica de engenharia natural: o entrançado com ramos vivos de salgueiro. No total o entrançado estende-se por cerca de 900 metros lineares, em ambas as margens, e irá permitir formar uma rede de contenção do solo no imediato minimizando a perda de sedimentos para o leito e eventuais pequenos movimentos de terra.

 

Execução técnica do entrançado de salgueiro na zona de transição entre o leito menor e o talude.


Por fim, deu-se início aos trabalhos de renaturalização da galeria ribeirinha, com recurso a plantações de arbustos e árvores autóctones enraizadas (loendro, murta, tamargueira e freixo) assim como a estacaria de espécies como o tamujo e a roseira-brava. Esta 3ª fase da intervenção iniciou-se com o arranque do inverno, em pleno período vegetativo das plantas. No total, foi possível colocar cerca de um milhar de espécimes vegetais em ambas as margens alvo de recuperação. Com o tempo esta vegetação irá reforçar a estabilidade das margens e aumentar o ensombramento do curso de água, além de aumentar a qualidade da água e promover abrigos para a fauna piscícola nativa.

 

Plantio de plantas enraizadas ou estacas de espécies autóctones.


Esta intervenção integrada permitiu-nos colmatar vários problemas, resultantes de vários impactes cumulativos, recorrendo a diferentes medidas práticas de conservação. Como resultado a médio-prazo espera-se melhorar as condições básicas à formação de habitats piscícolas na extensão da ribeira intervencionada, com consequências diretas na situação populacional do saramugo, e restantes peixes nativos, que dependem deste tipo de habitat para sobreviver.

 

Aspeto geral de uma parte do troço já recuperado.

 

 

Para saber mais sobre o projeto LIFE Saramugo visite: www.lifesaramugo.lpn.pt

 

 

 

       

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