Subscreva o manifesto AQUI
Portugal está a arder.
Décadas de promessas falhadas e reformas inacabadas deixaram-nos reféns de um território vulnerável, despovoado e entregue ao abandono. Todos os anos repetem-se as mesmas imagens: casas em risco, pessoas em perigo, bombeiros exaustos, ecossistemas destruídos.
Isto não é inevitável. É o resultado da falta de visão e de coragem.
Não podemos continuar a entregar o futuro da floresta e do território aos ciclos curtos da política, à lógica da urgência mediática e ao improviso de medidas reativas. A tragédia dos incêndios não se resolve com mais mangueiras: exige uma transformação profunda e de longo prazo.
O que exigimos:
- Um pacto nacional de 20 a 30 anos, blindado contra ciclos eleitorais e interesses partidários, com ciência, técnica e justiça social no centro das decisões.
- Responsabilização clara das empresas, sobretudo as que lucram com o uso da terra, floresta e energia, para investirem na prevenção, resiliência, regeneração do território e biodiversidade.
- Escrutínio público rigoroso, com relatórios anuais independentes, auditorias abertas à sociedade e acesso transparente a dados em tempo real.
- Estratégias territoriais diferenciadas e participativas: o minifúndio do Norte não é o montado do Sul, nem o eucaliptal do litoral é a serra despovoada do interior.
- Um ordenamento florestal regenerativo, que respeite as características do território, reforce mosaicos de biodiversidade e limite severamente extensas monoculturas de risco.
- Uma economia da resiliência e da regeneração, que remunere quem cuida da terra e da floresta, valorize práticas agroflorestais sustentáveis e desincentive o abandono e as monoculturas vulneráveis.
- Aplicação justa e transparente de créditos de carbono e pagamentos por serviços de ecossistema, premiando quem implemente manchas de vegetação autóctone, promova biodiversidade, proteja solo e água.
- Educação, cultura e cidadania territorial: para que as novas gerações cresçam conscientes do valor da paisagem, dos serviços de ecossistema e do papel coletivo na sua preservação.
- Uma aliança entre ciência, comunidades e instituições, reconhecendo a floresta como património vivo e bem comum, cuja gestão deve servir as gerações presentes e futuras.
O nosso apelo
Portugal precisa de um pacto nacional pela floresta e pelo território. Agora!
- NÃO é um favor às comunidades do interior - é condição para a sobrevivência coletiva.
- NÃO é um custo - é um investimento no futuro do país.
- NÃO é uma escolha - é uma obrigação moral.
Convocamos a ciência, as empresas, as autarquias e os cidadãos. Convocamos todos os que recusam assistir, de braços cruzados, à destruição repetida do nosso país.
O futuro da floresta e do território é o futuro do país.
É com esse objectivo que apelamos a todos que se juntem e subscrevam este manifesto AQUI. Juntos podemos contribuir com conhecimento e experiência para apoiar o país a renovar-se.
Entidades subscritoras (a 1 de setembro):
- AEPGA - Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino
- Aliança pela Floresta Autóctone
- Almargem
- Alvorecer Florestal
- APTERN - Associação Portuguesa de Turismo em Espaços Rurais e Naturais
- Associação Famalicão em Transição
- Campo Aberto - Associação de Defesa do Ambiente Civis
- FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade
- GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
- GlocalFaro
- JPS - Juntos pelo Sudoeste
- Associação de defesa dos valores naturais da região Sudoeste
- LPN - Liga para a Protecção da Natureza
- PALOMBAR
- PAS - Plataforma Água Sustentável
- QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza
- Reflorestar Portugal
- RWSW - Rewilding Sudoeste – Associação de desenvolvimento da natureza e ambiente
- SPBot - Sociedade Portuguesa de Botânica
- SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves
- SPECO - Sociedade Portuguesa de Ecologia
- ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável