Na rota da Geodiversidade e Biodiversidade no Parque Natural de Sintra – Cascais e Mafra

O mês de outubro foi a altura para se retomarem as saídas de campo do Projeto Despertar para a Natureza que estavam programadas do ano letivo passado, após o condicionamento que estas atividades tiveram resultante da pandemia do SARS-CoV-2.

 

Estas saídas de campo enquadram-se no Projeto Despertar para a Natureza que é um projeto que visa apoiar e estimular a realização de saídas de campo pelas Escolas potenciando e evidenciando o território como um laboratório de bio-geodiversidade, de forma a capacitar os alunos para a sua conservação e valorização.

 

Com o transporte cedido pela EPAL- Empresa Pública das Águas de Lisboa que apoiou as iniciativas destas saídas de campo, o Parque Natural de Sintra-Cascais e Mafra foi o local escolhido da saída de campo pela Escola Profissional de Ciências Geográficas. O itinerário escolhido pela professora Sofia Abreu professora coordenadora do projeto pela escola, consistiu na visita ao Núcleo de Interpretação das Dunas da Cresmina com uma caminhada pelos passadiços, Praia do Magoito e Penedo do Lexim, em Mafra.

 

Acompanhados pelos professores da escola e pelo professor destacado na LPN – Jorge Fernandes, caminhou-se em direção às Dunas da Cresmina, início da nossa visita, onde nos esperavam os técnicos da Cascais-Ambiente, no espaço de visitação da Duna da Cresmina.

 

Visita ao Núcleo de Interpretação da Duna da Cresmina.

 

 

Guiados pelos técnicos no espaço do Núcleo de Interpretação que possui uma exposição fixa sobre o sistema dunar e que serve como ponto de partida para o entendimento da dinâmica dunar foi efetuado um percurso de interpretação pelos passadiços.

 

Introdução no espaço de visitação do Núcleo de Interpretação da Duna da Cresmina efetuada pelos técnicos da Cascais Ambiente.

 

 

 

Entendemos e observámos a flora das espécies que povoam a duna, as suas adaptações em circunstância difíceis derivado da sua exposição ao vento, sol e areia.  Com a observação e descrição da flora representativa dunar, foi salientada a importância das espécies endémicas como a raiz-divina (Armeria welwitschii) ou a sabina-das-praias (Juniperus turbinata). Foi também mencionado as ações de recuperação da vegetação local, nomeadamente o controlo das espécies invasoras (como o chorão - Carpobrotus edulis), e da plantação de espécies autóctones (como o estorno - Ammophila arenaria).

 

Caminhada pelos passadiços na Duna da Cresmina com descrição da flora e dinâmica dunar.

 

 

 

Através de um enquadramento geológico efetuado mencionou-se que os cordões dunares são estruturas geológicas frágeis mas muito importantes uma vez que assumem um papel de proteção dos terrenos interiores da subida do nível do mar. Estudos revelam que a duna da Cresmina avança na direção norte-sul, em alguns sentidos, cerca de 10 metros por ano. São dados que, a longo prazo, podem ter efeitos dramáticos no que respeita à perda da biodiversidade, perda de solos aráveis, infraestruturas e habitações. Enfatizou-se assim a importância da vegetação na fixação das dunas, para se preservar a estrutura dunar e manter a integridade do local mediante a minimização da intervenção antrópica.

 

Técnico da Cascais Ambiente evidenciando aspetos da dinâmica dunar.

 

Depois de uma breve paragem para o almoço, partimos em direção à praia do Magoito para observação também de uma duna, mas desta vez uma duna fóssil ou paleoduna do Magoito que constitui um verdadeiro arquivo geológico e arqueológico.  

 

Não obstante a chuva ter começado a cair, observando-se a paleoduna e empunhando os mapas geológicos, Jorge Fernandes-professor destacado na LPN efetuou um breve enquadramento geológico da região mencionando-se a importância da conservação das dunas, nomeadamente da duna do Magoito. Esta duna corresponde a um estádio de evolução de areia solta para arenito, um processo que leva milhões de anos, sendo contemporânea de uma regressão do mar com uma descida de aproximadamente de 100 metros. Na paleoduna identificaram-se dois sítios arqueológicos que permitiram a sua datação com base em instrumentos de sílex e de cerâmica encontrados no local.

 

 

Jorge Fernandes explicando a Geologia de Sintra - Cascais.

 

 

 

Depois desta paragem e passando por antigos vulcões na região de Mafra seguimos para o Penedo do Lexim. Guiados pelo professor Jorge Fernandes efetuou-se uma descrição breve da flora da zona e da Geologia da região. O Penedo do Lexim constitui uma chaminé magmática, tem a particularidade de ser constituída por filas de prismas de basalto prismáticas, designadas por disjunção prismática. O seu valor é inegável constituindo um exemplo do 2º pulso, do 3º ciclo de magmatismo em Portugal correspondente ao Complexo Vulcânico de Lisboa-Mafra que ocorreu por volta dos 72 milhões de anos.

 

Jorge Fernandes efetuando o enquadramento geológico do Penedo do Lexim.

 

 

Depois destes testemunhos vulcânicos regressámos à Escola, onde os alunos serão desafiados a completar as perguntas do guião efetuado pela professora coordenadora do projeto da escola- Sofia Abreu. Pensamos que mais uma vez a realização das saídas de campo como esta permitem um maior conhecimento e vislumbre sobre as regiões visitadas, sobre a vida na Terra e da importância de se preservar a geodiversidade e a biodiversidade.

 

Para se ter uma noção mais clarificadora e para uma análise futura de atuação estratégica que foi efetuado um registo avaliativo das saídas e campo elaborado pela professor destacado da LPN através de inquéritos administrados antes e pós-saída de campo sobre as opiniões dos alunos, com questões efetuadas sobre atitudes e conhecimento face ao ambiente.

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