A LPN em colaboração com o Departamento de Turismo da Câmara Municipal do Seixal, promoveu no passado dia 5 de outubro a ação de formação “Navegando rumo à Sustentabilidade”, uma experiência onde o rio encontrou a história e a natureza que se revelou em cada margem. A bordo da fragata tradicional Baía do Seixal, os participantes exploraram o património natural e cultural do Estuário do Tejo, num cenário de rara beleza e riqueza ecológica.
A iniciativa, dirigida a docentes de diferentes níveis de ensino, mas também aberta a associados, técnicos municipais e profissionais da educação ambiental, foi dinamizada pelo professor em mobilidade estatutária na LPN- Jorge Fernandes, por Manuel Fernandes, professor do Agrupamento de Escolas de Monte da Caparica, Margarida Godinho, técnica da Câmara Municipal do Seixal, e Mário Carmo, biólogo e Natural Capital Manager – Your Biodiversity & Ecosystem Consultant.
A ação de formação “abraçou” as águas do Tejo, contornando os sapais junto à frente ribeirinha do Seixal e de Corroios, num percurso que cruzou diferentes áreas do saber — Geologia, Biologia, Geografia, História e Literatura. Revivendo as memórias do Tejo e da sua ocupação humana ancestral, navegou-se pelas marés da sustentabilidade, testemunhando séculos de interação entre o homem e o estuário.
A viagem começou na Baía do Seixal, cujas margens integram a Reserva Ecológica Nacional e fazem parte do Estuário do Tejo — o maior da Europa Ocidental e uma das zonas húmidas mais importantes do continente —, seguindo até ao Sapal de Corroios, com paragem no Moinho de Maré de Corroios, símbolo da íntima relação entre a atividade humana e o ambiente estuarino.
Durante o percurso, Jorge Fernandes, apresentou uma descrição da Geologia, Fauna e Flora do Estuário do Tejo, destacando as dinâmicas naturais que moldam esta paisagem e a importância da preservação das zonas de sapal. No Moinho de Maré, Margarida Godinho elucidou os participantes sobre o património cultural do concelho sobre a história o funcionamento tradicional do Moinho da Maré, um exemplo notável do aproveitamento sustentável da energia das marés. Já o biólogo Mário Carmo conduziu uma sessão de observação de aves, sublinhando o papel vital do a importância do sapal para a nidificação e refúgio das aves.
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Envolvidos pela tranquilidade das águas da Baía do Seixal, abrigada pela restinga do Alfeite, ia-se observando e descrevendo-se a fauna e flora características do estuário, acompanhados por leituras de poesia sobre o Tejo, interpretadas pelo professor Manuel Fernandes. Assim, o Português uniu-se à Ciência e à História, num diálogo entre sentidos e saberes que deu um tom poético à travessia.
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Enquanto a embarcação avançava, numerosas aves limícolas podiam ser observadas, refletindo a melhoria da qualidade ambiental e o aumento da biodiversidade, resultantes do encerramento de antigas indústrias e da modernização do saneamento e tratamento de águas.
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A Baía do Seixal revelou-se um verdadeiro laboratório vivo, onde se estudaram as dinâmicas dos ecossistemas e se discutiram formas de preservar este espaço único, inserido numa das zonas húmidas mais valiosas da Europa. As aves residentes e migratórias, símbolos da vida e do movimento incessante do estuário, acompanharam a navegação ao ritmo da poesia, protagonizando um dos mais belos espetáculos naturais do planeta.
Navegando pelas palavras e pelas águas do Tejo, num caudal de diálogos científicos e literários, abriram-se “asas” que levantam voo — não apenas para que os professores possam agir através de projetos e aulas de educação ambiental, mas também para que os participantes celebrassem o deslumbramento e a beleza da natureza, fonte de vida, saúde e inspiração.
Esta iniciativa sublinhou a importância de ligar o conhecimento científico, cultural e literário à educação ambiental para a sustentabilidade, proporcionando a “conquista pelos sentidos” dos locais e a ligação do emocional à razão. Pretende-se incentivar os professores a saírem com os seus alunos do espaço fechado da sala de aula, levando para as escolas o exemplo vivo do estuário — um verdadeiro laboratório natural de aprendizagem e cidadania ambiental.
O Estuário do Tejo é o suporte de vida da cidade de Lisboa e da Área Metropolitana. Se os cidadãos não tiverem ligação ao território, não o conhecerem e se as futuras gerações não se importarem com os sistemas naturais, sem terem conhecimentos de ecologia, como poderão preocupar-se e agir para a sua proteção e preservação?
Com esta ação de formação, e outras ações educativas que o Cento de Formação da LPN tem realizado, pretende-se fomentar experiências de aprendizagem ao ar livre, como saídas de campo, promovendo o contacto direto com a natureza e consolidando o papel da Natureza não apenas na formação, mas também na promoção da saúde e do bem-estar, com o objetivo de incentivar a consciência ambiental e a participação cidadã.
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