Os super-heróis do ambiente da LPN

A LPN dinamizou a saída de duas turmas do 6º ano do Agrupamento de Escolas Quinta de Marrocos com o apoio da EPAL desde a Peninha até ao Penedo do Lexim, em Mafra, numa área sensível de grande riqueza paisagística e natural que importa educar para a sua conservação.

 

No âmbito do projeto “Despertar para a Natureza” decorreu uma saída de campo na região de Sintra - Mafra com o apoio da EPAL e dinamizada pelo professor destacado na LPN – Jorge Fernandes, contando com a participação dos professores, intérpretes de Língua Gestual e alunos do 6º ano do Agrupamento de Escolas Quinta de Marrocos (que inclui alunos surdos-mudos).


O nosso destino inicial era a Peninha onde faríamos a primeira paragem. A viagem até à Peninha, através de Cascais proporcionava uma digressão pelas diferentes zonas biogeográficas, passando-se de uma zona com caraterísticas mais mediterrânicas, para outra com um clima mais Atlântico. Isso refletia-se no aumento da humidade e na vegetação de árvores frondosas que nos acompanhava no trajeto de subida até à altitude de 486 metros junto à Peninha. Aí, esperava-nos um dia de céu limpo maravilhoso que nos permitiu apreciar a paisagem envolvente, sobre quase toda a região de Lisboa, incluindo o Estuário do Tejo onde se podia avistar inclusivamente o Cristo-Rei e a margem sul do rio. Sem dúvida esta paragem possibilita uma etapa de contemplação e uma oportunidade para os alunos irem com outro ânimo para as tarefas que estavam programadas, nomeadamente as respostas do guião – Os super-heróis do ambiente da LPN – Missão do Projeto Despertar para a Natureza em Sintra-Mafra.

 

Santuário da Peninha

 

Miradouro da Peninha

 

Após uma breve descrição sobre o Parque Natural de Sintra- Cascais e da sua importância relativamente à sua geodiversidade e biodiversidade efetuou-se uma breve caminhada junto ao santuário da Peninha.

 

caminhada junto ao Santuário da Peninha

 

 

Seguidamente, após escolha de alguns locais de trabalho que reunisse um conjunto de vegetação arbustiva e arbórea adequada, os alunos tiveram a oportunidade de se envolver em diversas atividades de trabalho de campo relacionadas com o estado de saúde de um bosque/floresta.

 

Atividades sobre o estado de saúde de um bosque/Floresta.

 

 

Divididos em grupos e orientados pelo professor destacado da LPN e pelos professores, mediu-se a altura das árvores, a grossura do tronco, a análise do tipo e qualidade do solo, a diversidade de seres vivos, a análise da regeneração das árvores e um diagnóstico elementar sobre o estado de saúde geral das árvores.


Descendo pelo monte da Lua e pela magia da serra, lá fomos rumo à segunda paragem do nosso destino, a praia do Magoito para se observar a sua duna consolidada do período quaternário moldada pela erosão da exposição à nortada.

 

Praia do Magoito

 

 

Após uma breve introdução sobre a importância das dunas e da importância de se preservar a vegetação dunar efetuámos uma caminhada pela escadaria de acesso à praia, rodeados pela duna consolidada, classificada como geomonumento e onde a natureza nos mostra que o nível do mar ao longo da história geológica variou. A duna consolidada corresponde a um estádio de evolução de areia solta para arenito formada há 10000 anos e que testemunha um nível do mar que se situava muito acima do atual e onde aqui também aqui se identificaram em conexão com a duna dois sítios arqueológicos de idades diferentes – período pré-Boreal e meados do V milénio a.C. e do Neolítico Final.

   
De volta ao autocarro, subindo a escadaria de acesso à arriba, junto ao estacionamento vislumbrava-se a sul, as arribas compostas por uma sucessão de camadas quase horizontais de calcários e margas do cretácico. O destino agora da nossa paragem seguinte era o Penedo do Lexim, (Mafra) para se observar as chaminés magmáticas do Complexo vulcânico de Lisboa- Mafra e realizar-se mais umas atividades de trabalho de campo sobre a qualidade do solo.


Chegados ao local, efetuámos um pequeno percurso pedestre. No início, o basalto anunciava através do terreno, o aumento da fertilidade e por consequência da vegetação, caminhava-se junto às árvores repletas de líquenes, onde os raios de sol se refletiam na chaminé vulcânica.

 

No Penedo do Lexim vislumbrava-se a força telúrica da natureza que há milhões de anos foi palco de erupções que afetaram o território desde Torres Vedras (Runa) até Lisboa a que se associou uma ocupação humana desde a pré-história. No local chegou-se ao momento mais esperado: as formas de disjunção prismática do basalto que se tornaram mais visíveis. Para que a natureza molde essas formas caraterísticas colunares prismáticas têm de se reunir diversas condições pelo que não se torna um fenómeno vulgar.

 

Disjunção prismática do Penedo do Lexim

 

 

 

O espaço destacando-se pela sua singularidade geológica é considerado como sendo um geossítio. Para além disso a fortificação natural que constitui essa chaminé magmática é considerada como Imóvel de Interesse Pblico.

 

Localizado numa propriedade privada junto a uma antiga pedreira não possui qualquer informação/painel informativo e de uma proteção/salvaguarda adequada a exemplo de muitos geosítios existentes no nosso País. Não estando enquadrado o Penedo do Lexim na área coberta pela Rede Nacional de Áreas Protegidas, não tem uma proteção legal que decorre indiretamente da classificação de Áreas Protegidas pelo que se sujeita ao abandono e ações de maior vandalismo.


Depois de uma breve explicação sobre o local e já no seu regresso encontrámos também alunos de outra escola a visitarem também o local, face à sua riqueza pedagógica e de investigação sem dúvida que a exemplo de tantos outros merecia propostas para a sua proteção e valorização.

 

Quase no final do dia regressámos à escola, onde os alunos serão desafiados a completar o guião através de uma saída de campo ajudando os “Super- Heróis do Ambiente na missão de proteção da natureza e combate aos vilões da natureza em Sintra-Mafra”.

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