Para preservar não basta fazer, é também preciso ouvir

A LPN deu início a um processo de auscultação para planeamento de uma iniciativa de restauro ecológico da paisagem Mediterrânica. Até setembro espera-se reunir contributos de dezenas de partes interessadas com presença e um papel ativo na Margem Esquerda do Guadiana.

 

Com 250 mil hectares, a Margem Esquerda do Guadiana abrange os municípios de Mourão, Moura, Barrancos, Serpa e Mértola, e constitui-se como uma paisagem singular do Sul de Portugal. Inclui um raro mosaico de habitats mediterrânicos que prestam importantes serviços de ecossistema e que suportam alguns dos mais altos níveis de biodiversidade encontrados em qualquer agroecossistema cultural.

 

 

 

 

A sua heterogeneidade e a riqueza da biodiversidade dependem da multifuncionalidade e da gestão extensiva da terra, trabalhando com processos naturais à escala da paisagem. Um sistema que se tem vindo a perder ao longo dos anos, entre outros, potenciado pela suscetibilidade deste território à desertificação.

 

Com o objetivo de tornar esta paisagem mais natural, multifuncional e resiliente, a LPN lidera agora um projeto para o planeamento de uma iniciativa de restauro ecológico da Margem Esquerda do Guadiana. Sendo esta uma paisagem humanizada, este plano inclui também a identificação de formas de melhorar a qualidade de vida local com base em recursos naturais autossustentáveis.

 

De acordo com Eduardo Santos, coordenador deste projeto, “Estamos a falar de uma paisagem transformada ao longo dos séculos pela presença humana, em que os valores naturais e culturais que lhe conhecemos são resultado de uma relação de interdependência e compatibilização entre mundo rural e conservação da natureza. Para que se consiga ter sucesso nesta iniciativa é fundamental envolver quem detém, gere e utiliza este território, e esse envolvimento tem de ser acautelado desde a fase de planeamento.”

 

Assim, como parte integrante desta iniciativa, está em curso um processo de auscultação no formato de encontros presenciais, com a participação de representantes de diferentes entidades públicas e privadas, proprietários, setores de produção e de atividade, e grupos da sociedade civil, para partilha de conhecimento e perspetivas.

 

 

 

 

Eduardo Santos esclarece ainda que “O processo está a ser mediado por uma investigadora com experiência em dimensões sociais do uso e gestão de recursos naturais. Nós [LPN] somos apenas mais uma das partes interessadas que estão a ser ouvidas, pois trabalhamos há quase 20 anos naquela região, com iniciativas dirigidas à conservação de espécies ameaçadas e dos seus habitats, como é o caso do lince-ibérico e do saramugo. “

 

Estes encontros vão decorrer até setembro e os seus resultados serão tornados públicos.

 

Esta iniciativa conta com o financiamento do Endangered Landscapes Programme, um programa de conservação de paisagens ameaçadas. Para além da LPN, participam neste projeto a organização Fauna & Flora International, a Universidade de Cambridge e o Centro Mundial de Monitorização da Conservação do Programa Ambiental das Nações Unidas (UN-WCMC), líder mundial no conhecimento de Biodiversidade.

 

A Liga para a Protecção da Natureza agradece à Universidade de Évora, ao Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED), à Comoiprel - Cooperativa Mourense de Interesse Público de Responsabilidade limitada e à Junta de Freguesia de Mértola, pela pronta cedência de espaços para a dinamização destes encontros. Um gesto que muito valorizamos face às circunstâncias atuais.


Estes encontros realizaram-se cumprindo todas as normas e orientações da Direção-Geral da Saúde.

 

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