Poesia e histórias na Lagoa de Óbidos

Era ali, junto ao Mar, junto à Lagoa,
Que todos os dias marcavam encontro
Era ali que me perdia a tudo contemplar


Não sei se o Mar beijava a Lagoa
Se a Lagoa abraçava o Mar…
Nunca entre eles houve um desencontro!


Nadavam, ondulavam, em bebedeiras de azul
Era infinita a beleza desta sublime natureza,
Mais adiante onde se forma um Paúl
Nem os flamingos perdem a delicadeza.


Entre o vasto ecossistema de fauna e flora
Em tons de azul por mar e céu afora
Ninguém ficava indiferente a esta aliança
Pois em todos os amanheceres ensaiavam uma nova dança!


A Lagoa era a de Óbidos
O Mar era o da Foz
Tinham os pôr-do Sol mais tórridos
Na areia contemplados por nós!


                                                                                     de Cristina de Jesus

 

 

 

“Era ali junto ao mar, junto à lagoa…”. Foi o poema de Cristina de Jesus que deu o mote para o início da atividade “Lagoa de Óbidos, Poesia e Histórias”, realizada no dia 26 de maio no âmbito do projeto “Centro de Interpretação para a Lagoa de Óbidos”.

 


Na manhã fresca de domingo, o grupo juntou-se na praia do Bom Sucesso, em Óbidos, para uma serena caminhada pela margem da Lagoa, desfrutando da paisagem e de momentos de poesia, histórias e partilha de saberes.

 


Deixando a praia para trás, rumámos ao braço do Bom Sucesso.

 

 

 


Ao passar pelas cabanas dos pescadores, Valdemar Lopes, filho desta terra e pescador desde os 12 anos, convidou-nos a conhecer a sua cabana onde connosco partilhou histórias sobre a sua vivência e a Faina na Lagoa. Na nossa bagagem trazíamos também algumas histórias do nosso amigo Maximino Martins, que connosco partilhou a sua receita da caldeirada de enguias à Lagoa de Óbidos.

 

 

 

 


Despertados pela vontade de degustar algumas das iguarias da lagoa, seguimos a caminhada até à Aldeia da Lapinha. Pitoresca, com as suas casas baixas e muito bem cuidadas, esta é a aldeia mais antiga do Vau. Hoje mais turística, outrora foi habitada por agricultores, gentes daquela terra, que da lagoa e dos campos em seu redor obtinham todo o seu sustento – o pão, a carne e o peixe.

 


 

 

 

 

Ao longo do passeio, a professora de Literatura Portuguesa e Português Maria de Lurdes Fernandes foi desafiando os participantes a declamarem poemas sobre aquela que foi e é sonhada por tanta gente, a lagoa que beija o mar.

 

 


Assim continuou-se a caminhada, passando pela poça das Ferrarias, local onde várias espécies de aves e também alguns mamíferos encontram refúgio. Já chegados ao Braço do Bom Sucesso, o grupo foi recebido por Dário Lopes, poeta e autor do livro “Figuras desta terra. História e Lendas do Vau”, onde ficámos a conhecer a origem do nome “Covão dos Musaranhos” e algumas das histórias de naufrágios da região.

 

 

 


O nosso agradecimento à Miká Penha, por nos dar a conhecer as antologias do grupo "Letras da Lagoa de Óbidos", um projeto da sua mentoria, aos nossos convidados Maria de Lurdes Fernandes, Valdemar Lopes e Dário Lopes, pela simpatia e carinho com que aceitaram este desafio de partilha, e a todos os participantes pela dedicação e entusiasmo demonstrados, e com quem tivemos o prazer de apreciar, num almoço convívio, alguns dos saberes e sabores da região.

 


Em breve teremos uma nova edição desta iniciativa, noutro local das margens da lagoa, com outros poemas e histórias, e com a colaboração de outros amigos que nos têm vindo a acompanhar neste bonito percurso do projeto. Fique atento às nossas divulgações.

 

 

Para mais informações sobre o Centro de Interpretação para a Lagoa de Óbidos, clique aqui.

 

 

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