Política Agrícola Comum: um novo protagonismo na conservação da biodiversidade?

"A LPN considera a agricultura uma valiosa aliada na preservação da diversidade biológica - caso o Programa LIFE deixe de existir, mais importante ainda se torna espelhar essa aliança, incorporando na PAC objetivos conservacionistas", defende Pedro Bingre do Amaral.

 


 

Desde que em 1992 os Estados reunidos na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento assinaram a Declaração do Rio de Janeiro, a Política Agrícola Comum (PAC) passou a assumir preocupações ambientais reforçadas, complementadas desde esse mesmo ano em diante pelo Programa LIFE para a conservação da biodiversidade nos espaços rústicos. A sinergia entre estas figuras tem sido sobremaneira importante para a conservação da fauna, flora e habitats. Especificamente, o LIFE tem ajudado a estabelecer os planos de gestão e as necessidades de conservação em áreas agrícolas de elevado valor natural situadas em solos afectos à Rede Natura 2000, enquanto o Plano Estratégico da PAC (PEPAC), através de apoios específicos, tem proporcionado compensações financeiras aos agricultores para que implementem essas ações de conservação no terreno.

 

Sendo o objectivo da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) ajudar por todos os meios ao seu alcance a conservação da biodiversidade, e atendendo ao facto incontornável de o sector agrícola ser um dos mais importantes protagonistas da gestão dos espaços rústicos onde precisamente se alberga a maior parte da fauna e flora autóctones, esta Organização Não-Governamental de ambiente partilha nas linhas seguintes as suas reflexões a respeito do futuro da Política Agrícola Comum 2028-34, em especial face à possível extinção do programa LIFE.

 

 

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Com base em contributos técnicos, académicos e representantes do setor, a mais recente edição da CULTIVAR – Cadernos de Análise e Prospetiva sobre “O futuro da Política Agrícola Comum” reflete uma análise abrangente das prioridades para a Política Agrícola Europeia pós 2027, das implicações orçamentais e de governação face às propostas da Comissão Europeia e das consequências dessas mudanças para a coerência das políticas europeias e a nível nacional.

A publicação, editada pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), reúne um conjunto diversificado de artigos que integram questões essenciais a considerar no processo de reflexão para a negociação, nomeadamente a redistribuição de fundos, a capacidade de resposta a crises, a manutenção da ambição ambiental, a atratividade do setor para novas gerações e a necessidade de instrumentos que conciliem competitividade, sustentabilidade e equidade territorial.

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