Por Trillhos de Geodiversidade e Biodiversidade na Zona Oriental de Lisboa

Os espaços verdes em Lisboa são cenários bucólicos onde os lisboetas se podem refugiar dos tubos de escape dos automóveis ou do ruído, fornecendo uma panóplia de funções. O Parque Urbano do Vale da Montanha e da Bela Vista inseridos no Corredor Verde Oriental de Lisboa foram os locais visitados para mais uma ação de formação da LPN realizada nos parques e jardins de Lisboa, onde se deu a conhecer a sua geodiversidade e biodiversidade, com o objetivo de se incrementar a educação ambiental nos espaços verdes das cidades.

 

Apresentação dos objetivos da ação, da influência e importância dos espaços verdes em meio urbano, nomeadamente do corredor verde Oriental.

 

 

“Quanto mais tecnológicos nos tornamos, de mais natureza necessitamos. O futuro pertencerá aos indivíduos, famílias, empresas e líderes políticos que conseguirem ter um profundo entendimento sobre o poder do mundo natural e que saibam como equilibrar o virtual com o real”. R. Louv

 

Ao longo destes anos, a LPN tem realizado diversas ações de formação nos jardins e parques de Lisboa (exemplos; Jardim Tropical de Lisboa (2021), Jardim Botânico da Ajuda (2019), Jardim do Príncipe Real (2019), Tapada das Necessidades (2019), Jardim do Torel e Campo de Santana (2020) no sentido de dar a conhecer a geodiversidade e a biodiversidade urbana, pois constituem-se como verdadeiros laboratórios naturais, oferecendo ao público em geral e aos vários níveis de ensino escolar, uma série de visitas e atividades que os professores podem efetuar ao ar livre de educação ambiental.

 

Numa saída presencial orientada por Jorge Sequeira do LNEG e Jorge Fernandes da LPN, efetuou-se um itinerário pelo Parque Urbano do Vale da Montanha e da Bela Vista descrevendo-se os aspetos geológicos, paleoambientais e a biodiversidade, bem como a divulgação do património de Lisboa e a sua relação com as dinâmicas do crescimento urbanístico.

 

Itinerário efetuado pelos Parques Urbanos do Vale da Montanha e da Bela Vista.

 

 

Com 11 hectares o Parque Urbano do Vale da Montanha tem um papel estruturante de continuidade com o Parque Casal Vistoso e Bela Vista. Foi reabilitado em 2015, como espaço de ligação entre os espaços públicos do parque da Bela Vista, Bairro do Armado, Olaias e Avenidas Novas, assegurando a ligação do Areeiro à zona ribeirinha de Marvila, constituindo. Esta viagem de sentidos, de emersão pela natureza, numa zona bem perto de locais densamente povoados permitiu desvendar alguns segredos do Parque Urbano do Vale da Montanha e Bela Vista, um tesouro verde da cidade, que formará com os parques contíguos, uma área verde com mais de 110 hectares, a segunda maior área verde de Lisboa a seguir ao Parque Florestal de Monsanto. O trajeto proposto foi inserido no contexto da implementação da Estrutura Ecológica Urbana da cidade de Lisboa integrando, o Corredor Verde Oriental.

 

Em tempo, esta zona era uma zona de hortas, ocupada por construção ilegal, atualmente o espaço oferece uma rede de percursos pedonais e de ciclismo rodeados por vegetação arbórea na sua maioria constituída por vegetação autóctone.

 

 

Descrição da Geodiversidade de Lisboa por Jorge Sequeira.

 

 

Após a entrega pelos formadores de um guião sobre o percurso no qual se propunha um diálogo de saberes entre a Geologia, Biologia e a história da cidade, íamos caminhando e ficando surpreendidos pela riqueza em espécies botânicas, bem como pela possibilidade, de mesmo em ambiente urbano, e num jardim, podermos ter afloramentos para se ter acesso à Geologia da cidade.

 

 

Caminhando e observando o estrato arbóreo e arbustivo do Parque do Vale da Montanha com o auixílio de um guião.

 

 

Mesmo na cidade, esta caminhada transportava-nos para a natureza dentro da cidade integrando elementos culturais e reforçando um saber ambiental que expressa o ser no tempo, o conhecer na história.

 

Caminhando nas formações geológicas da série miocénica de Lisboa destacavam-se algumas árvores e arbustos autóctones pela sua importância ecológica e iam-se descobrindo ninhos de abelhas solitárias destacando-se a sua importância e necessidade da sua conservação.

 

 

Observação e descrição da importância da árvore - tamargueira.

 

 

O formador Jorge Sequeira, maravilhava-nos com o seu reportório de conhecimento da história de Lisboa e deixava-nos surpresos com a fauna que as diferentes sequências deposicionais do miocénico nos revelava na zona oriental de Lisboa, como por exemplo o supercrocodilo encontrado no vale de Chelas, elefantes, mastodontes, rinocerontes, o tigre-de-dentes de sabre e outros grandes vertebrados. Em blocos dispersos no Parque da Bela Vista também existem vestígios de manatins (peixes-boi).

 

A geodiversidade da cidade de uma escala temporal que ultrapassa a génese da humanidade era aflorada de forma magnífica por Jorge Sequeira, possibilitando conhecer melhor o seu património geológico e os materiais de construção utilizados. Em alguns muros de antigas quintas do parque da Bela Vista que era uma antiga propriedade rural numa vegetação de traço mediterrânico encontravam-se fósseis de coraliários e de moluscos indicadores de um ambiente com um clima de águas quentes e límpidas.

 

 

Jorge Sequeira evidenciando os fósseis de coraliários e de moluscos num muro de uma antiga quinta .

 

 

 

Jorge Sequeira explicando os materiais empregues na construção das antigas quintas da zona do Parque da Bela Vista.

 

 

Jorge Sequeira explicando os materiais empregues na construção das antigas quintas da zona do Parque da Bela Vista.

 

 

 

Tendo como base a utilização dos espaços verdes como local de estudo e de construção de recursos didáticos, nas formações geológicas de areias com Placuna miocénica efetuaram-se observações sobre as propriedades do solo com a orientação de Jorge Fernandes. Avaliou-se a qualidade do solo através de indicadores como a cor, grau de cobertura de vegetação, textura, tipo de solo e presença organismos, como por exemplo de minhocas através de um método de extração.

 

Caraterização do solo no parque da Bela Vista e demonstração do método de extração das minhocas do solo.

 

 

A viagem pelos parques urbanos e jardins que se pretendeu, embora curta, é necessária e ambiciosa – o de propor um diálogo de saberes para reafirmar a necessidade de geração de novas identidades mais conectadas à Natureza. As experiências ao ar livre sobre o papel do solo como componente do ambiente natural, das relações ecológicas nele recorrentes permitem aos alunos e comunidade escolar ampliar uma maior percepção da importância do solo e de ser preservado.

 

 

Dada a riqueza da geodiversidade das diferentes utilizações que são dadas aos recursos geológicos em Lisboa e da importância de se preservar a biodiversidade, esta ação de formação permite sensibilizar os professores para utilização desses espaços urbanos como estratégias educativas que vão ao encontro das competências explicitadas no perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória e para a promoção da educação para a sustentabilidade.

 

 

 

 

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