Um ninho entre mais de 220
O projeto LIFE Aegypius Return tem monitorizado as colónias de abutre-preto em Portugal com grande detalhe, desde 2023. Em cada época de reprodução – que se estende de janeiro a setembro – todos os ninhos conhecidos são cuidadosamente acompanhados, o que requer muitas horas de dedicação. A tarefa é particularmente exigente no Parque Natural do Tejo Internacional, cuja colónia transfronteiriça conta com cerca de 220 ninhos de abutre-preto conhecidos, e que em 2024 registou mais de 60 casais nidificantes. A monitorização está à cargo da SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves), que conta com o apoio dos vigilantes da natureza do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) e da Quercus.

Monitorização de abutre-preto no Parque Natural do Tejo Internacional ©Milene Matos/VCF
Como parte dos trabalhos de monitorização, os técnicos Paulo Monteiro e João Esteves, da SPEA, sabiam que um determinado ninho na Herdade da Cubeira contava com uma cria já bem desenvolvida. No dia 9 de julho, com cerca de 80 dias de idade, foi observado a começar a ensaiar o voo, batendo as asas e elevando-se uns centímetros acima do ninho. Tudo parecia estar bem, mas no dia 17 de julho, o ninho estava vazio, e a cria ganhou o nome de Charneco.
Procurar o Charneco
A equipa da SPEA prospetou intensamente a zona adjacente ao ninho, com binóculos e telescópios, mas não detetaram o Charneco. Porém, o ninho estava parcialmente caído. Não tendo o Charneco ainda idade para voar, deveria ter caído do ninho e estar indefeso no solo, pelo que o Paulo e João rapidamente se aproximaram do local e acabaram por encontrar o Charneco no solo, a cerca de 60 metros da sua azinheira-natal.
De imediato foi contactado o ICNF, que prontamente disponibilizou Vigilantes da Natureza para colaborar na captura do Charneco e fazer o seu transporte para o CERAS (Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens, gerido pela Quercus), onde foi avaliado pela equipa de médicos veterinários.
Sem lesões ou fraturas, o Charneco precisava de repouso e segurança. Permaneceu no CERAS em recuperação até ao dia 19 de setembro, data em que foi devolvido à natureza, equipado com um emissor GPS/GSM.
Resgate do abutre-preto Charneco ©João Esteves/SPEA
Devolução à natureza
No dia em que foi devolvido à natureza, o Charneco estava muito enérgico e determinado a fazer o seu primeiro voo em liberdade, tendo levantado com desenvoltura e demonstrado ótimas competências para voar.
Devolução à natureza do abutre-preto Charneco ©Paulo Monteiro/SPEA
Desde então, o Charneco tem-se mantido bastante ativo e fiel ao território do Tejo Internacional. Por vezes permanece muito próximo do rio, fazendo lembrar o seu congénere Natator, mas felizmente – até ao momento – sem sobressaltos.

Movimentos da primeira semana do abutre-preto Charneco de volta à liberdade.
Agradecimentos
Como sempre, este caso de sucesso só foi possível com a colaboração de todas as pessoas e entidades envolvidas: SPEA na deteção e resgate, ICNF no transporte e CERAS/Quercus na recuperação.
Os parceiros LIFE Aegypius Return agradecem ainda a presença de todos os que participaram na devolução à natureza do Charneco: ICNF, SPEA, CERAS/Quercus, VCF (Vulture Conservation Foundation), Universidade de Coimbra, Herdade da Cubeira e Sérgio Saldanha.
Foto de grupo: devolução à natureza do abutre-preto Charneco. ©Paulo Monteiro/SPEA
Sobre o LIFE Aegypius Return

O projeto LIFE Aegypius Return é cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia. O seu sucesso depende do envolvimento de todos os stakeholders relevantes, e da colaboração dos parceiros, a Vulture Conservation Foundation (VCF), beneficiário coordenador, e os parceiros locais Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, Herdade da Contenda, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Liga para a Protecção da Natureza, Associação Transumância e Natureza, Fundación Naturaleza y Hombre, Guarda Nacional Republicana e Associação Nacional de Proprietários Rurais e Associação Nacional de Proprietários Rurais Gestão Cinegética e Biodiversidade.

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