Saída de campo - A Descoberta da Arrábida

Inserido no Projeto Despertar para a Natureza da LPN que pretende incentivar a realização de saídas de campo, os alunos do 10º ano de escolaridade do curso de Ciências e Tecnologias do Agrupamento de Escolas Fernando Namora (Amadora) tiveram a oportunidade de complementar os conteúdos curriculares com experiências práticas em contacto direto com a natureza vivenciando-a e interpretando-a de outra forma.

 

O itinerário por alguns locais da Arrábida – al-rábita, deu a conhecer a sua Biodiversidade e Geodiversidade numa saída de campo e que envolveu também as disciplinas de Português e Filosofia, com particular importância para a aprendizagem dos alunos evidenciando o território como um laboratório de bio-geodiversidade e integrando-o com a ocupação humana de forma a capacitar os alunos para a sua conservação e valorização.

 

A jornada no âmbito da Cidadania e Desenvolvimento da escola ao cuidado da professora Graça Delgadinho que se candidatou ao Projeto Despertar para a Natureza, iniciou-se no Cabo Espichel e foi orientada pelo professor em mobilidade estatutária na LPN. Após a entrega dos guiões interpretativos os alunos observaram os impressionantes penhascos do Jurássico Superior e do Cretácico Inferior, discutindo-se a Geologia e a Flora da Cordilheira da Arrábida, além de terem conhecido a lenda local da Senhora do Cabo – da Pedra da Mua onde Ermida da Memória, e sob a Ermida, na Baía dos Lagosteiros – se encontra-se o Monumento Natural das Pegadas de dinossauros da Pedra da Mua (Decreto nº20/97 de 7 de maio), interpretadas como pegadas de um burro, num claro exemplo de cruzamento entre a Geologia, o simbolismo e o sagrado que o Cabo Espichel evidencia. Esta será, muito provavelmente, a primeira referência escrita, embora indevida, à existência de pegadas e trilhos de dinossauro.

 

De seguida, o grupo caminhou por cima das arribas para norte, através de um trilho de percurso pedestre com aproximadamente 2,5 km em direção o Monumento Natural da Pedra da Mua e à Praia dos Lagosteiros.

 

No caminho de terra batida, num percurso fácil pelas arribas constituídas por camadas inclinadas em cerca de 45º na baía dos Lagosteiros, constituídas essencialmente por calcários, margas e arenitos, observaram-se afloramentos com inúmeros vestígios de atividade de invertebrados (bioturbação) e excelentes exemplares de fósseis de gastrópodes e bivalves. Simultaneamente, o professor Jorge Fernandes salientou a importância das comunidades de plantas endémicas existentes na região entre Setúbal e o Cabo Espichel inserida na Zona Especial de Conservação Arrábida/Espichel da Rede Natura, da importância etnobotânica da flora da Península de Setúbal, identificando e descrevendo-se algumas plantas caraterísticas  como o Alecrim – Rosmaribus officinalis, a Esteva- Cistus ladanifer, a Estevinha – Cistus salvifolius,, o Tomilho,- Thimus vulgaris, o Rosmaninho – Lavandula stoechas, entre outras, , enfatizando-se as diversas adaptações das plantas às condições edafoclimáticas do local.

 

Chegados ao miradouro situado a norte da baía dos Lagosteiros os alunos visualizaram as pegadas de saurópodes e terópodes nas lajes calcárias com recurso aos painéis informativos com a respetiva descrição geológica e paleontológica colocados estrategicamente nos locais.

 

Ver in situ o o que estudamos em sala sobre os dinossauros e Geologia é diferente do que se dá na aula é “dar vida às teorias”, destacou um dos estudantes de 15 anos.

Após a caminhada nessa experiência envolvente e mística a norte do Cabo Espichel, partimos rumo ao Castelo de Sesimbra para almoçarmos na sombra dos pinheiros, avistando uma paisagem magnífica para a “depressão de Sesimbra”, para os seus relevos circundantes e oceano.

 

Após termos recomposto as energias, lá fomos em direção à paragem da Pedreira do Jaspe, na serra mágica da Arrábida, onde a paisagem é fonte de poesia. Junto à Mata do Solitário, uma área de proteção total que testemunha as matas mediterrânicas de há muitos milhares de anos, antes das Glaciações, avistávamos a serra do Risco - a falésia calcária mais alta da Europa, descrita por Sebastião da Gama como o “fóssil de uma onda”. Aí, contemplando-se a paisagem envolvente com a Serra do Risco a escarpa litoral mais alta da Europa, um dos alunos com orientação prévia da professora de Português, os alunos foram convidados a mencionar frases inspiradoras do momento que vivenciavam e um dos alunos leu trechos de poemas de Sebastião da Gama evocando a Arrábida, que se enaltece de poesia face à sua beleza e onde nela se brota uma força inspiradora.

 

Junto à Pedreira do Jaspe, através da carta geológica o professor Jorge Fernandes fez um enquadramento da Geologia, destacando a Brecha da Arrábida, rocha ornamental classificada com Pedra Património Mundial, integrada em plena Reserva de Proteção Integral do Parque Natural da Arrábida e que por essa razão atualmente está inativa como exploração, face à enorme riqueza da sua biodiversidade, com espécies, que atingem um porte inigualável em alguns locais.

 

A última etapa foi a Praia do Creiro, onde, após um percurso pedestre os alunos com vista para o portinho da Arrábida e Pedra da Anicha visitaram as ruínas romanas de um complexo de salga de peixe do século I-IV d.C. — evidência da ocupação humana ancestral na região e observando a discordância nas camadas geológicas se explicou que ali é o único local do País onde é possível permite datar com precisão o principal episódio compressivo associado à orogenia Alpina (etapa de formação de montanhas (orogenia) que durante o Cenozóico formou as cadeias montanhosas do Sul da Eurásia – Alpes – Arrábida)

 

Esta saída de campo multidisciplinar foi uma experiência enriquecedora para os alunos, que puderam aprender sobre a natureza, história e cultura da região da Arrábida de uma forma divertida e interativa. Os professores parabenizaram os alunos pelo seu entusiasmo e curiosidade, e expressaram a esperança de que esta viagem tenha despertado neles um interesse ainda maior pela ciência e pela proteção do ambiental, valorizando-o.

 

São esses os objetivos do Projeto Despertar para a Natureza da LPN com o apoio da EPAL e que vão ao encontro das Aprendizagens Essenciais do perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, do Referencial de Educação para a Sustentabilidade e Estratégia Nacional de Educação Ambiental.

 

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