No passado dia 18 de abril, a Área Marinha Protegida das Avencas (AMPA) Cascais foi palco da ação de formação “Ecologia entre Marés da Plataforma Litoral de Cascais”, numa experiência de aprendizagem em contexto real, centrada na exploração da geodiversidade, biodiversidade e dinâmicas ecológicas costeiras.
Ao longo de um percurso pela praia das Avencas e a praia da Bafureira, os participantes percorreram zonas de arribas, plataformas rochosas e áreas intertidais, onde tiveram oportunidade de observar diretamente a diversidade de formas geológicas e de espécies adaptadas ao ambiente entre marés. A identificação de organismos da zona intertidal, bem como a análise das características das rochas e formas de erosão, permitiu compreender a forte interdependência entre os componentes físicos e biológicos deste ecossistema.
A ação evidenciou a relevância da AMPA enquanto laboratório natural ao ar livre, destacando-se como um território privilegiado para a educação ambiental e científica. Durante as atividades práticas, os formandos exploraram conceitos como a dinâmica costeira, os processos de abrasão e sedimentação, as caraterísticas e as adaptações dos seres vivos às condições variáveis impostas pelas marés.
Para além da componente científica, a formação teve um forte enfoque pedagógico, capacitando os participantes, na sua maioria docentes para a utilização deste espaço como recurso educativo. Foram discutidas estratégias para integrar o trabalho de campo no ensino, promover a literacia científica e sensibilizar os alunos para as problemáticas atuais como o lixo marinho, a pressão turística, a urbanização e as alterações climáticas.
Entre os principais objetivos da ação estiveram o reconhecimento da geodiversidade e biodiversidade do litoral de Cascais, a análise das inter-relações entre ambas na construção da paisagem costeira e a compreensão dos impactos antrópicos neste território.
Paralelamente, a ação procurou dotar os professores de ferramentas pedagógicas que incentivem a participação ativa dos alunos na conservação do meio marinho e na adoção de comportamentos sustentáveis.
A formação integrou ainda uma componente prática com recurso a ferramentas digitais, através da qual os participantes responderam a um guião orientador. Esta atividade permitiu abordar temas como o impacto das alterações climáticas e a acidificação dos oceanos, tendo sido igualmente realizada a medição de alguns parâmetros físico-químicos, como a temperatura e o pH da água em poças de maré, numa perspetiva interdisciplinar.
As arribas das praias da Praia da Bafureira e da Praia das Avencas, identificadas no Plano de Ação Litoral XXI como áreas de risco elevado, foram recentemente alvo de intervenções de proteção costeira. Destacou-se o efeito visual marcante das obras, que resultaram na artificialização significativa das arribas. Os participantes tiveram oportunidade de refletir sobre os efeitos destas intervenções, nomeadamente ao nível da alteração da paisagem e da redução da visibilidade de elementos naturais relevantes.
No percurso, em especial na Praia da Bafureira, a aplicação de revestimentos em betão cobre atualmente grande parte da arriba, dificultando a observação de características geológicas e ecológicas de interesse, como o azeviche. Também na Praia das Avencas, as exsurgências calcárias e as avencas — estas últimas associadas à identidade da praia — se tornaram menos visíveis.
A formação foi dinamizada por Jorge Fernandes, professor em mobilidade estatutária na Liga para a Protecção da Natureza, e por Rita Alves, técnica superior da mesma instituição.
Enquadrada nas orientações da Estratégia Nacional de Educação Ambiental, da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 e do Referencial de Educação Ambiental para a Sustentabilidade, esta iniciativa reforçou a importância de aproximar a escola do meio local ao promover valores de cidadania, participação e sustentabilidade, a ação contribuiu para formar professores e cidadãos mais preparados para enfrentar os desafios ambientais contemporâneos e inspirar práticas transformadoras.
Esta realidade sublinha a necessidade de se impedir a construção no litoral nomeadamente em cima das arribas e reforça a importância de promover abordagens que conciliem a segurança de pessoas e bens com a conservação do património natural e o seu valor educativo.
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