Se o governo não implementar medidas urgentes, Portugal irá assistir em breve à extinção desta ave.
A população nacional de sisão (Tetrax tetrax) está em risco iminente de extinção: diminuiu 90% nos últimos 20 anos, segundo os resultados do 4º Censo Nacional de Sisão, publicados ontem.
As organizações de ambiente LPN, SPEA-BirdLife, FAPAS, GEOTA, WWF-Portugal, Palombar e ZERO apelam à adoção urgente de medidas de emergência para evitar a extinção desta ave em Portugal, apelam à adoção urgente de medidas de emergência para evitar a extinção desta ave em Portugal. .
Outrora abundante nas planícies alentejanas, o sisão (Tetrax tetrax) é hoje uma ave cada vez mais rara e difícil de observar. Dependente de sistemas agrícolas extensivos e de habitats abertos, nidifica no solo, tornando-se especialmente vulnerável à intensificação agrícola. A substituição de culturas de cereais em extensivo por culturas permanentes intensivas, como amendoal ou olival e o aumento da intensidade do pastoreio e a redução das áreas de pousio contribuem igualmente para a degradação dos locais de nidificação o que tem causado o colapso da população de sisão. Outras aves estepárias prioritárias, a abetarda (Otis tarda) e o tartaranhão-caçador (Circus pygargus), apresentam também declínios muito acentuados devido a estas ameaças. A crescente infraestruturação dos meios rurais, como sejam as linhas elétricas, representam fatores de mortalidade acrescidos para a espécie.
Os resultados do 4.º Censo Nacional de Sisão, coordenado pelo BIOPOLIS/CIBIO, estimam a população em apenas 1736 machos — um declínio de cerca de 90% desde 2006.
A situação de espécies como o sisão tem merecido a atenção dos ambientalistas e até da União Europeia, que tem cofinanciado projetos como o LIFE Iberian Agrosteppes, o LIFE SOS Pygargus, o LIFE EUROBUSTARD e o LIFE PowerLines4Birds. Mas para que as ações no terreno surtam o efeito desejado, são necessárias medidas sistémicas que só o governo pode regulamentar. A própria paisagem cerealífera está em risco.
As organizações defendem a criação urgente de um plano de emergência, interministerial, com a participação de ONGA’s, agricultores, universidades e outros atores locais, que inclua proteção ativa das áreas de reprodução, promoção das áreas cerealíferas e pousios com uma melhoria das medidas agroambientais e valorização da produção nacional, ordenamento de infraestruturas energéticas, limitação do regadio em áreas críticas e a criação de uma rede de reservas e de um programa de conservação ex-situ (reprodução em cativeiro para posterior devolução à Natureza).
Sem ação imediata, a extinção do sisão em Portugal poderá tornar-se uma realidade a curto prazo.
Fotografia de capa: © Luís Venâncio
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